Merkel e PPC cada vez mais juntos ou o futuro nem precisa de ser empurrado, ele nunca quer aparecer

A manipulação do acesso e distribuição da informação e contra-informação tem sido muito evidente ao longo deste ano, provavelmente ainda em maior grau nos dois locais aonde se põe em disputa lugares com alguma relevância (não muita) decisória, os USA e a China. Na CE existe uma particularidade / complexidade adicional, a manipulação do discurso tem que incluir a procura de transmissão de mensagens com sentidos opostos, ou seja as de destino interno, para o país do emissor e as de destino externo. A frequência com que isto ocorre constitui um bom indicador indirecto da inexistência da Europa enquanto comunidade.

A manipulação da informação foi objecto de uma decisão pioneira de um tribunal australiano que condenou, na primeira instância, a S&P ao pagamento de uma significativa indmenização a alguns concelhos locais que tinham comprado produtos financeiros classificados com AAA, nota que só se compreenderia como resultado de manipulação da avaliação ou grossa negligência profissional – Sextus gostaria de saber um dia a decisão dos tribunais superiores.

A manipulação da informação tem sido muito exuberante na campanha presidencial americana, tal como é costume. Sextus acredita que Romney possa vencer mas se tal ocorrer – uma probabilidade ao que parece à volta de 45% – será muito concebível que ele se venha a transformar no PPC americano, ou seja, apesar do posicionamento vai caber-lhe a decisão de aumentar os impostos.

Se tal ocorrer nada terá de surpreendente, os governos nunca reformam, os governos são supostos garantir e contribuir para a verificação das condições necessárias à permanência de staus quo, o que é uma bondade, diga-se desde já, pois, se tal fosse possível, uma sociedade com mudanças em contínuo tornar-se ia um perfeito manicómio num mundo desgovernado de nascença.

O século XIX, o século onde mais proximamente foram construídas as fundações da nossa vivência, com toda a sedimentação anglo-saxónica dos dois lados don Atlântico, construiu um edifício com o tipo de material que existe na terra, o arenoso sedimento do passado. Neste edifício existiriam algumas janelas essenciais, a racionalidade da actividade humana, a procura do bem comum, as regras de aplicação universal e outros derivados.

Sempre sucumbimos à tentação de contar o passado imputando-lhe forças e vectores duma construção que só estão realmente presentes nessa reificação do passado.

A história é um caos agregacional que como qualquer corpo desse tipo consegue transmutar-se em aparentes cristalizações geométricas. O extremo deste tipo de concepção, que como qualquer extremo se afasta demasiado daquilo do que as coisas são, é a afirmação de que não existe tal coisa como a sociedade (Thatcher). É até muito curioso que uma sociedade que produziu a forma de estar vitoriana ( mas também a dos chamados pais fundadores dos USA, derivação muito peculiar, ao mesmo tempo mais religiosa e libertária do modelo vitoriano ) sobrevive melhor com a condição de não acreditar nem tentar cumprir totalmente a construção do seu modelo. Temos vindo a ser informados sobre o implementar actual desta praxis com o desenrolar da crise financeira – os bancos são uma criação antiga mas de desenvolvimento claramente anglo-saxónico – com a exteriorização parcial das metodologias de negócios das empresas seguradoras, dos bancos de investimento e das agências de notação.

O comportamento agreagcional e sedimentário da história sofre por vezes testes de stress muito agressivos a que esses corpos não resistem, quebrando-se em múltiplos fragmentos que irão desenvolver logo depois novas concreções seguindo uma diferente norma de agregação.

Com toda a evidência que se vem acumulando chegámos a um desses testes, que são ainda mais raros que os exames no tempo do eduquês.  Muitas vezes esses testes apenas consistem em deitar as cartas velhas fora e substitui-las por outras idênticas ou quase, mas novas. Por exemplo, o jocker pode mudar o que já pode ser uma substituição suficiente para abrir um novo espectáculo, o texto esse varia muito pouco, mas a entoação e o ritmo esses também mudam.

A afirmação de Merkel que cinco anos adicionais seriam necessários e suficientes para repôr a CE numa trajectória de novo ascendente vale tanto como a previsão metereológica para essa altura. Igualmente, a proposta de refundação, do que quer que se trate, avançada por PPC vale tanto como a promessa do repetente de que amanhã irá estudar mais. Alguns, de espírito mais atento aos pequenos detalhes até crêem que este anúncio será mais um inteligente produto dos recém-contratados “spin doctors” do governo. Sextus encara-a mais como o equivalente do prolongar do pedalar do ciclista que sabe que quando deixar de o fazer cai  mas está incomodado em fazê-lo sem ter chegado a parte nenhuma.

Os obstáculos colossais da Lusitânea são três, um erguido pelo acumular de uma dívida muito grande e principalmente com uns juros impossíveis de pagar em clima de recessão ou de fraco crescimento, mais ainda porque essa dívida apenas serviu fundamentalmente para a satisfação imediata de alguns poucos com retorno produtivo fraco, embora com o adiar até agora do desemprego para níveis mais realistas, em paralelo com os vizinhos da península, desemprego que constitui o segundo obstáculo principal, gémeo da pouca qualidade de gestão de grande parte das empresas que em resultado disso e de outros factores estão demaisado dependentes de dívida para crescimento e não só, até para o mais humilde funcionamento. Nada do que se vem adivinhando sobre a refundação lida de forma decisiva com estes obstáculos, a refundação do estado social só poderá ser feita em tempos de crescimento – só deveria, se houvesse governos com a função da administração, mas não há e nunca houve – em tempos de recessão apenas a agrava via aumento do desemprego.

Alguns ainda fazem questão de fazer saber que acreditam que a CE / Alemanha poderá dar uma mão á Lusitãnea, quer via o melhoramento das condições de financiamento – uma troika renovada e menos gulosa –  quer via projectos de investimento. Aqui reside o terceiro e decisivo obstáculo, a cultura e espírito, no sentido usado por Maquiavel das elites que sucessivamente passam pelo poder na Lusitânea, elites o mais cacainizadas que existe no mundo. Estas teses, de verdadeiros adolescentes e de velhos cacânicos com alguns literatos conscientes da novilíngua que nunca se pode adivinhar até onde conscientemente querem ir,Sextus não as partilha nem um bocadinho – Sextus diria hipóteses – que na sua opinião não se apoiam em registos das relações entre estados, sociedades ou qualquer outro tipo de grupo.

Tall como está na sua natureza, a elite de funcionários que está no poder, não fará refundação nenhuma. A questão vexatória é como substituir esta por outra depois de ter cumprido o passo constitutivo de identificação desse novo grupo. Como é óbvio, a elite de funcionários-capatazes não incluiu no seu seio elementos com esse pensamento diferente, só um grupo de novos patrões – leões no conceito paretiano poderá operar essa mudança, talvez as suas mães já tenham nascido-

Por agora, PPC deve ter o cuidado de não acenar com mudanças que sabe não querer nem poder. Em tempos normais a história recompensa Albuquerque, se ele conseguir chegar ao poder, então ainda não chegou a época dos exames e a mãe do novo Jardim ainda é uma criança.

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