Hollande et PPC échangent leur discours pendant que Sextus prête son oreille à Brel et ses chrisantêmes

Atravessamos um período interessante, com poucos antecedentes na história, onde a narrativa padece de falhas estruturais que habitualmente não convivem intimamente. Por um lado vai acentuando o uso de uma sinalização claramente novilinguística com uma constante alta de dissociação frente ao rumor preocupado e desorientado dos habitantes do palácio de cristal, por outro, não consegue um texto mínimamente promotor de um espírito de grupo em acção, está mais íntima da propagação de um medo atípico, desagregante. Esta narrativa não tem pois muito tempo à sua frente.

Hoje, Hollande voltou a martelar a tecla da solidariedade, uma das palavras mais vezes repetidas no hexágono nos últimos duzentos anos, desta vez atribuindo a essa solidariedade a metodologia para conseguir o fim de manter tudo mais ou menos na mesma, enfim algo bastante sensato, mas ao que tudo indica, impossível.

No dia em que Hollande aparenta infundir a bondade da preservação da unidade europeia (não se sabe muito bem como defini-la, existe qualquer coisa, é certo, mas em processo aparentemente deliquescente) sabemos que exista uma petição nos USA em dezanove estados com o objectivo de requerer a secessão. Para já foi assinada por 16 mil texanos e talvez lá para o fim do mês consiga atingir o mínimo para ser discutida no Senado. Na Europa não vai ser preciso fazer tal petição, o correr natural das coisas disso se encarregará, verdadeiramente uma união desde o cabo da Roca até ao cabo do Norte parece mais um jogo para dar no Natal do que qualquer outra coisa.

PPC, suponho que no mesmo encontro, voltou a proclamar a sua crença na capacidade da austeridade em resolver a situação, mas aquiescendo, suplementada pela realização das reformas estruturais. Bom, estas reformas já pertencem estruturalmente à discussão portuguesa há pelo menos centúria e meia.

Este discurso político dos dois líderes, tem tanto de compreensível como dissociado e inútil, como diria Camus, a vida é um absurdo. O bom senso aparente nem sempre serve de bitola adequada, particularmente quando não casa com o imobilismo. Solidariedade e reforma estrutural austera soam a voluntarismo mil vezes superior ao espírito de os realizar e ainda bem que é assim em 99% dos casos.

No presente, era mesmo bom mudar alguma coisa. Mas abandonando a novilíngua, austeridade não diz nada e solidariedade também não.

O que se tem tratado em toda a Europa, mas não só, em todo o mundo, é da falta de qualidade das escolhas que os principais decisores vêm tomando. Não seria preciso nem solidariedade nem austeridade, mas sim qualidade, algo que se arrasta desde o rei filósofo de Platão e que terminará com o fim da humanidade.

O que torna a actual situação particular funda-se na menor margem de manobra para lidar com os rescursos disponíveis face aos desperdícios na rede global e na maior captura logo à primeira rodada de distribuição. Nesta situação, quem trabalha com menos margem de lucro não consegue a fatia que acalenta. Todas os produtos oriundos de sectores muito competitivos e tradicionais não gerem margens de lucro suficiente no Ocidente, escapam aqueles ditos de muito maior valor acrescentado, ditos inovadores, com substituição acelerada mas de uma enormíssima discricionariedade. Se nos lembrarmos que a taxa de poupança dos agregados americanos continua inferior a 4% e que o desemorego jovem é superior a 10% em todo o Ocidente, na Europa oscila entre os 10-12% dos estados mais em forma até à tragédia espanhola dos 50%, percebemos que os produtos inovadores têm pouco futuro à sua frente.

Até aqui tudo parecia encaixar no puzzle mas nestes últimos quarenta anos algo de muito novo ocorreu.

Três coisas combinaram-se para criar um quadro demasiado instável, excelente para as raposas, mas estas são animais são  por natureza destrutivos, já aqui se disse, nunca desaparecem nem desaparecerão (e ainda bem) mas em auto-gestão durante muito tempo são absolutamente insuportáveis.

A combinação da auto-gestão e poder progressivo das raposas, uma demografia impossível e uma crise do emprego, que em parte retro-alimenta a demografia assim como esta o faz em relação ao desemprego, as três tornam inviável a sociedade ocidental tal como a conhecemos nos últimos quinhentos anos.

A resolução para esta tríada, se houvesse, não passa pelos caminhos que nos são lidos pelos políticos actuais. O Ocidente caminha para o muro e só mudará depois de lá bater.

Quem for autónomo e flexível ultrapassará melhor esse passo. Um pequeno debaixo da alçada de um grande fica dependente da solidariedade desse grande.

Ao fim e ao cabo, Hollande e PPC trocaram os textos, o primeiro não tem coragem de falar em austeridade mas é do que precisa e ainda pode tentar tendo em conta donde parte, o segundo fala da austeridade mas no fundo apenas aposta na solidariedade.

Regardant Sextus, bon moi, moi  je préfére Brel, même avec son accent et ses chrisantêmes.

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