Re-industrializar: será que Santos Pereira está consciente do que quer

Cinco ministros da economia da CE querem promover a re-industrialização europeia agora que o sonho britânico de viver essencialmente dependente dos ganhos financeiros mostra que não pode ser replicado fora do centro que é Londres desde há dois séculos.

Alguns mais distraídos, apesar de do apoio que prontamente disponibilizaram, não se aperceberam do mundo de consequências desse desejo, se levado à prática.

Primeira derivação é a recusa do modelo mercantilista puro, quer de Smith quer de Hayek, a re-industrialização nega de forma voluntarista o paradigma da vantagem competitiva e da divisão da produção. De facto, o problema principal na Europa não é, dentro do sistema existente, a falta de industrialização, é o excesso de produção da indústria ainda localizada aqui, desde as máquinas ligadas ao conforto doméstico, passando pelo mundo do automóvel, pela agro-indústria, pelos texteis, calçado e outros. A capacidade instalada é excessiva porque os compradores agora dividem-se por uma quantidade muito maior de produtores, com os recém-chegados a praticar, como seria implícito, preços mais baratos para entrar no mercado. Conforme Ricardo tinha previsto, a divisão da produção leva a maior eficácia e passa por um abrandamento dos salários e de uma diminuição dos postos de trabalho, sem chegar ao que os luditas temiam.

Para re-industrializar a Europa tem que negar o seu projecto que se apoiava em parâmetros de eficiência e de eficácia de atribuição de recursos financeiros e humanos que já não estão presentes no terreno. A CE só podia sobreviver num mundo em que jogasse um papel dominador. Nesta altura pouco resta à Europa do que proceder ao seu desmantelamento.

Sextus em crónica passada recorreu ao paradigma de sustentação de um motor. Toda a gente sabe que quando um conjunto de peças está animado de movimento tem que incorporar outro mais pequeno de movimento contrário para prevenir a aceleração contínua até à destruição. As sociedades, curiosamente, também sobrevivem assim, aliás derivando da natureza os benefícios próprios à redundância, ou se se quiser, à gordura do sistema.

Há muitos séculos que a produtividade possível da maior parte das sociedades é bastante superior à procura. Este desajustamento foi compensado de várias maneiras, uma violenta, a guerra quase crónica em tempos recuados e outra, quando o capital acumulado era grande e estava adormecido por ausência de alternativas de aplicação, de forma pacífica via procura de serviços perfeitamente discricionários. Uma grande quantidade de recursos humanos que viveram “downstairs” para servir os que habitavam as “upstairs” foram assim retirados da deambulação indigente e perigosa para o estado. Claro que era sempre possível fazer uma diminuição importante nos “downstairs” mas isso não poderia ser feito sem graves consequências.

A re-industrialização da europa só pode ser feita pela re-criação das fronteiras económicas e pela re-criação das moedas, a actual divisão pela sua lógica só pode levar à optimização dos recursos criando cada vez mais desemprego até à insustentabilidade e ruptura social.

A re-industrialização não é possível com as actuais regras de movimento do capital, nesta altura do desenvolvimento humano, só a instabilidade pode impedir a procura do capital das zonas onde o potencial de lucro é maior, as que ainda estão na fase baixa da curva da progressão produtiva, as zonas ainda longe dos benefícios marginais cada vez mais curtos.

A redundância e a ineficiência são para já as únicas saídas, mas com as regras vigentes não haverá capital para as financiar.

Se Ricardo estava certo, já não se trata da China como paradigma, é a Índia. A re-industrialização já em curso nos EU não têm trazido empregos com alta renumeração.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s