Portugal regressa aos mercados mas estes nunca quiseram cá vir e que estão quase a morrer cumprindo o seu devir

Portugal poderá regressar aos reclamados mercados já amanhã, enfim uma novidade interessante e que quase ninguém anteciparia para tão cedo há seis meses atrás. Há certamente algum mérito neste trajecto e o ponto a que conseguimos chegar resulta de termos feito parte do necessário. Não é que Sextus queira ser desmancha prazeres mas nem fizemos a maior parte do que seria necessário e quase nada do que será suficiente. Primeiro ponto, há que ter a consciência – será que ainda existe tal nestes avançados tempos cacânicos -que o nosso regresso aos mercados não é sustentável. Não é possível contrair empréstimos a 4.5% numa economia persistentemente em recessão ou sem ultrapassar crescimento de 0.5 a 1.5%.

Segundo, conseguir empréstimos a 4.5%, mesmo admitindo que os bancos portugueses consigam taxas muito similares isto transforma-se em taxas de empréstimo bancário para os particulares para valores nunca inferiores a 5.5-6%. Mas ontem, no habitual programa de Medina Carreira pudemos ver o gráfico dos juros de empréstimo na eurolândia e comparar juros abaixo de 2% que os países do norte praticam com os lusos, que naquela amostra estavam entre os 8.5 e os 9.5%. Esta segmentação do euro não é compaginável com a sua manutenção a menos que esse grupo inclua países suicidas ou aprisonados, o nosso caso.

Terceiro, e como Gaspar realçou e usou para sustentar o pedido de mais tempo e de menos juros, os encargos financeiros agravam-se no período 2014 a 2016, altura em que estaremos, espera Gaspar, somente dependentes dos mercados, ou seja, a situação depara-se com um penhasco financeiro e não com uma suavização da colina.

Chegados aqui facilmente concordamos que muito do que seria decisivo para evitar o desastre não está feito. Certamente que a saída de cerca de 60 mil emigrantes por ano em 2011 e 2012 e provavelmente algo semelhante em 2013 é muito importante. Se ainda por cima parte desses emigrantes repetirem o que as gerações precedentes fizeram, as remessas vão ser muito úteis embora não tanto por virem em moedas mais fracas que o euro ou euros, muito diferente do passado no século XX em que as remessas consistiam em francos e marcos. Mas de qualquer modo a emigração consistia um dos pilares inevitáveis.

Faltam os outros dois, para além de muitos outros menores que Sextus nunca acreditou que pudessem ser importantes, do tipo da melhoria acentuada da administração estatal e corrupção – não se mudam as capacidades e os atributos de uma nação numa geração, é sempre necessário que duas consecutivas abracem essa mudança e para além do tempo não se viam condições propícias para tal, para haver essas mudanças torna-se premente um ambiente de pressão importante que em Portugal nunca é criado pelo alívio da emigração e pela diminuta competição existente.

Os outros pilares incluem a simplificação da legislação, a única forma eficaz de melhorar a justiça e a descida e simplificação dos impostos com a abolição quase total das deduções.

Claro que estes dois pilares nunca serão reconhecidos como tal pela tribo de funcionários que nos vem governando. Conseguem até ter sempre grande à vontade para aumentar os impostos e a legislação, ao abrigo de inteligentes trabalhos de regulamentação.

O único combate com alguma viabilidade que resta a um céptico encartado que sempre olhará como aliados o conservadorismo informado e o individualismo proprietário inteligente reside nestes objectivos, o desmascarar dos perigos reais da taxação e da legislação. A isto acresce a recusa da agregação informe ditatorial e imbecilizante.

O drama que este grupo de pessoas sofre deriva do persistente engano auto-induzido de tomar como obras palavras incoerentes com as ditas a que se deve somar o ter sido deliberadamente prejudicado por um avançado que se reclama do grupo mas que na melhor das hipóteses constituem um sub-grupo folclórico ou na pior das hipóteses constituem a quinta coluna lá colocada pelo diligente partido dos funcionários.

Na realidade, os mercados quase já nem existem, o mundo financeiro não se baseia no mercado, baseia-se na renda, com a agravante que o número de rendeiros é muito diminuto, o de capatazes é enormíssimo. Mais, nestes tempos os mercados ao refugiarem-se no HFT confessaram aquilo em que se transformaram.

È próprio das curvas da história em que o que parece está muito afastado daquilo que é.

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