O demónio de Maxwell em contraponto com os neoliberais revolucionários – parte I

A indomável turma da gestão vem desde há enjoativos anos equivalendo crise a oportunidade provocando a excitação de plateias juvenis, pelo menos de espírito, já moldadas pela era de Mr. Chance. Sextus prefere uma definição diferente e muito mais clássica, crise é sempre um intervalo – isto para quem lhe repulsa a palavra fractura – em que o paradigma está desajustado, ou em que a dissociação da percepção está mais acentuada do que é usual pelo contexto que está em transfiguração, o velho parece novo e imutável, o novo parece verdadeiro e revelador.
Um dos paradoxos mais interessantes destes tempos tem sido a contínua transfiguração dos neoliberais em neoconservadores e finalmente em revolucionários. As multiplas e consecutivas reuniões do Eurogrupo podem ser uma emanescência duma senilidade que apenas tartamudeia frases incompletas (na interpretação de alguns) ou talvez constituir tímidas, mas por vezes desavergonhadas, emrgências de um espírito absolutamente revolucionário. Inesperadamente a mala da senhora Lagarde não contém perfume mas um delicado e potente revólver. O inquieto ministro holandês está intrinsecamente de acordo com o espírito ancestral do seu avoengo voador, audaz, atrevido, dado a grandes gestos, mas devidamente acautelado como qualquer representante setentrional.
Na Lusitânea, como vem hoje lembrando o seu representante máximo, continuamos a distrairmo-nos com o secundário, confundimos a intenção com a implementação e por fim recolhemo-nos no colo do pai que esperamos nos guie mas que não nos castigue cruelmente.
O clamor de Gaspar de que as reformas estão já feitas em grande parte, remetendo para a taxa de 91% de implementação das medidas preconizadas pela troika consegue abarcar tudo. A confiança na capacidade do pai em identificar o caminho, o apelo para a sua bondade, o acessório como limite para a feitura e análise.
O problema é que seguindo Cavaco completamente, não se trata de reportar a criação de um emprego ou da riqueza de um euro, tratar-se-ia (se tal fosse possível com a elite de desconfiados e medrosos funcionários que é a nossa)de discutir se o que pensávamos ser bom ainda o é ou se nos enganámos miseravelmente.
O demónio de Maxwell teve a sua morte anunciada ao fim de 62 anos de vida, Sextus discorda. O demónio de Maxwell é ainda o vigoroso oponente da confusão europeia nascida ou pelo menos derivada do trágico engano publicitado por Francis, o pseudohistoriador. A senhorita Merkel já percebeu para que lado sopra o vento da história do início deste século.
O drama lusitano é que almeja a cacânia, terra agradável e prometida em tempos de abundância, pântano da irrelevância e da submissão nestes tempos.
A capacidade de uma nova elite lusitana interiorizar que chegou a altura da separação a que o nosso querido demónio se devota irá marcar a dimensão da tragédia de uma nação que há séculos deixou de fazer o trabalho de casa.
O regaço e a elegante mala da senhora Lagarde, em acordo com o impronunciável holandês são menos cómodos e acolhedores do que as montras das casas do canal que vai até à estação de Amsterdão.

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