Uma declaração de guerra com ocultação da estratégia, primeiro é sustentada pela novilíngua mas no segundo tempo o discurso não chega, é preciso acção

As maravilhas do discurso novilinguístico são, apesar de tudo, de limitada duração, com um impacto a mostrar uma correlação inversa com a intensidade do seu uso prévio. Mesmo assim, o à vontade com que agora se discute a afectação dos depósitos de valor superior a cem mil euros em eventuais resgates bancários pode dar uma indicação indirecta do caminho imenso percorrido. O mundo financeiro parece confortado que tem segurança suficiente em anunciar confiscos futuros, mais uma vez os audazes ganham a partida. A moleza cipriota foi o teste final. A conversa mole sobre maior união bancária é mesmo apenas isso e quase que espanta como foi possível o discurso regredir ao patamar da infantilidade – é verdade que os alemães são um povo prático e simples com ilhéus de pensamento crítico que ocasionalmente desembocam em ilhas mágicas e trágicas quando o vulcão da irracionalidade humana se mistura.

Para qualquer trabalho há sempre os idiotas úteis e o historial lusitano é infelizmente longo. Quando um banqueiro português publicita a sua concordância com aquela metodologia de assalto está insensatamente a confiar que os piratas seniores vão acamaradar com ele na abertura do baú. Há crentes para tudo, há feiras para tudo, muito se vende e muito se compra. Não percebeu – não sabemos se de facto não o fêz – que os piratas seniores não vão dividir tesouro nenhum, vão sim dividir o trabalho de o carregar. (Esse mesmo banqueiro também propõe a descida adicional dos salários, parece razoável e é necessário mas não basta, torna-se também igualmente preciso descer a valoração das dívidas e dos activos, lá se iria o seu banco se não fosse possível ir buscar aos impostos os fundos para o seu resgate – como aqui já se disse, o pensamento dos economistas e financeiros há muito que subiu ao patamar mágico, influência do milagre em que se tornou a alavancagem financeira com derivados, swaps, cds, eu sei lá).

A destrutiva força centrípeta do núcleo europeu continua e não é possível evitar a aniquilação pela diluição da periferia no núcleo. Com o movimento de capital que se seguiu e continuará em direcção aos centros de Londres e Berlim – com alguma distribuição final para os primeiros níveis de órbita do norte de Itália e de França – no fundo a área definida pelo Pó, Reno, Tamisa e Sena – mais a lógica reclamação da diminuição do proteccionismo, a derrota profunda de Portugal e de outros como ele pode ser prevista com facilidade – uma das maiores falácias do dito neoliberalismo é que se apoia em contos das fadas vencedoras que infantilizam e adormecem as pobres crianças, mas enfim, quem queira perceber melhor o que Sextus diz pode remeter-se com gosto ao debate inicial e reler Hamilton, como já aqui se disse.

A falência económica comporta sempre um grau variável de falência da nação, mas no nosso caso trata-se de novamente sofrermos um processo de selecção natural invertida, depois dos hemorrágicos cento e cinquenta anos da segunda metade do século XV e do século XVI, os jovens com mais espírito e força vão encher as companhias “low-cost”. O país ficará claramente insustentável. Este fim de semana um jornal dava conta que num inquérito junto de universitários, 69% imaginam a emigração como o primeiro passo após a graduação – o MNE alemão., o germano-asiático já veio falar na dupla nacionalidade para esses futuros imigrantes na sua terra -é obra, cumpre-se a tradição dos endividados, pagamos o almoço (neste caso acorda-se, é apenas o pequeno-almoço) e mandamos mão-de-obra.

Se isto é verdadeiramente simples de prever, múltiplas evoluções podem ocorrer e Sextus não tem a mínima intuição sobre a aposta de PPC. Talvez que este esteja fatalmente convencido que a classe média está moribunda e apenas resta a administração de económicas e pouco eficazes medidas de conforto até ao seu desaparecimento. Pode-se especular que o futuro a médio e longo prazo, apenas haverá uma diminuta subclasse de capatazes no castelo que episodicamente são forçados a descer á taberna para tratar de alguns despachos – a maçada dos escrutínios feitos por uma populaça derrotada, embriagada e animalizada.

Sextus acredita mais noutra alternativa, o medo de descer á gruta que se não conhece. PPC receia e neste momento não lhe seria permitido propõr o desatracar de Portugal da CE, primeiro saindo do euro e se a fronteira funcional nascida da nova moeda não fosse suficiente avançar na separação.

Irá ainda tardar a percepção que o centro europeu é nosso adversário vital e muitos irão preferir a diluição do que a imprevisível autonomia. Sextus crê que a diluição só não se efectuará porque não há candidatos para nos engolir. Quando chegar o tempo da percepção que não atraímos os outros, que não nos querem, poderá chegar o tempo da nova independência. O sonho de rui ramos não se cumpre apenas por isso e alguém que é historiador já devia ter percebido isso, para além da tonteria do seu raciocínio de ajuda entre nações, isso tem outro nome nos seus livros, não é amizade, é protectorado – sonhará RR ensinar a história alemã no fim da sua carreira, de facto também é muito variada, até ao século XIX é mesmo uma insuportável confusão.

É decepcionante para um país quase milenar ser empurrado para a maturidade por outros, mas não seria a primeira vez na história mundial. Para já, amedrontados e estonteados, partindo do princípio que a verdadeira agenda não é ainda mais depressiva, fazemos de cirrótico terminal e cumprimos a ordem de não beber mais, confundimos o necessário com o suficiente.

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Uma resposta a Uma declaração de guerra com ocultação da estratégia, primeiro é sustentada pela novilíngua mas no segundo tempo o discurso não chega, é preciso acção

  1. Dá que pensar esdta Reflexão. De facto estão a “empurrar-nos” no que se refere á Banca para a situação de Nacionalizarmos toda a Banca já que estamos sujeitos ´as suas” Manobras” e a pagar os seus prejuizos, até pelo confisco, que é o mesmo que um “assalto”

    Quando a “solidariedade” e a “integração?” chegam ao pPonto em que estão a evidenciar-se a questão deixade ser estar no €uro e passa a ser estar na U. E.

    Dá que pensar? e um dia destes começar a agir!

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