É verdade que a querida Coreia do Norte desapareceu dos radares mas podemos alegrar-nos com os europeus ou nunca tantos enganaram tanto tantos

Já passaram algumas, longuíssimas semanas que não temos o benefício das notícias diárias sobre a nação mais avançada do mundo, que nos mostra o caminho e o devir de todos nós, a Coreia do Norte. Razões para este olvido são tão absurdas como inesperadas, o que vale é que o inverso não deverá provar-se verdadeiro, sim os norte-coreanos continuam a pensar em nós.

Preencher tão cósmico vazio não é exequível, mas tentar pelo menos minorar o grande buraco é um dever. Quem temos mais à mão senão os gestores, os economistas, os nossos governantes. E não é preciso o trabalho de os procurar ajudado pela lanterna, nisso levamos a melhor sobre Diógenes, eles não se escondem, surgem de qualquer lado.

Nos últimos três dias escutámos as trocas de opiniões entre a Sra. Merkel, o Sr. Schauble e o Sr. Barroso. Os três abraçaram a dialéctica clássica, nós ficamos com a dúvida quem será o terceiro, o vencedor e mesmo se haverá algum, se não constituirão todos o segundo, a negação.

Deixemos estas maçadas discursivas hegelianas, subamos vários níveis até aos factos igualmente contrastantes mas conformados pelo grande duplipensar norte-coreano. Façamos uma rápida confrontação entre as projecções muito arriscadas da magnífica troika em 2011, por muito distantes, para 2013 e os dados presentes. Projectou-se que em 2013, o PIB iria crescer 1.2%, irá decrescer pelo menos 1.9%, o défice seria 3%, irá ser talvez 5.5%, o desemprego estaria a descer para 12%, talvez ultrapasse 18%. Magnífico trabalho de economistas e gestores para quem o futuro não tem segredos. Acrescente-se a desagradável surpresa desses magníficos com a queda de investimento de 19% entre 2011 e 2013, algo completamente, Sextus repete, completamente impensável, excepto pelos nossos correlegionários helénicos – na Grécia fazem sempre melhor, Sextus curva-se junto dos tios-avôs. Manifestamente a natureza das coisas não mostra o mesmo grau de identificação com as previsões que se observa na querida Coreia do Norte, futuro vivido no presente, logo sem surpresas ou desvios estúpidos.

Também estas inoportunidades são assinaladas pelo duo teutónico magnífico, especialmente o desemprego entre os jovens. Ângela e o seu ministro preocupam-se com o atraso de José Manuel em tomar as decisões correctas de forma a que uma geração não se perca. Os alemães, depois de especularem com todo o sucesso sobre a austeridade expansionista querem agora a austeridade mais virada para a criação do emprego, não lhes basta o crescimento. Também as andorinhas da distante, por avançada, Coreia do Norte, cantam para alegrar o heróico povo abençoado pela elite que gerou e calam-se quando o querido líder quer descansar.

Alguns tolinhos locais, sempre os houve, falam de outras coisas sem sentido. Por exemplo, como é que se faz uma desvalorização interna dos salários (logo de serviços) á volta de um terço, sustentável, com uma dívida privada a ultrapassar os 200% do PIB. Isso sem um ajustamento simultâneo dos créditos em igual montante seria letal para qualquer entidade privada que não conseguiria gerar lucro suficinte para sequer tentar pagar os juros. Sextus escutou um grande gestor afirmar com convicção que a dívida privada não constitui problema , o obstáculo era a dívida pública – está descansado divino Vítor, estás em Frankfurt mas tens seguidores que baste no torrão natal. Enfim, a crença destes irrequietos e geniais gestores-economistas alimentada pela dialéctica cacânica iria sobreviver a tudo, mesmo ao alívio quantitativo japonês que tem uma dívida pública recorde mas possuída por nacionais e uma dívida privada mais pequena, enfim paradoxos que os distintos neoliberais nem chegam a perceber. Talvez que agora com o novo livro do Sr. Rogoff (não se sabe se já depurado dos pequenos erros bem conhecidos) se consiga avançar na reconfortante conclusão que todas as dívidas são iguais mas há algumas que são mais iguais que as outras. (E deve ser lido vagarosamente, não tenha sido Gaspar o grande apresentador).

Fica para o fim o mais importante, as sábias palavras do garboso gaulês, agora que isto está a correr mal nada melhor que nos unirmos mais ainda, finalmente, o olhar para a grandíssima Coreia do Norte. Certamente que esse projecto obteria o mesmo entusiástico apoio que o sacrossanto povo norte-coreano (todo ele com depósitos bancários inferoires a 100 mil tostões) presta ao grande desígnio do querido líder na sua terceira encarnação.

Numa coisa Sextus discorda de alguns amigos, o linguajar cacãnico do presente está ainda distante de recuperar a imaginação do que se ouvia há cem anos atrás. Fica por prever qual o efeito do fermento televisivo. Até lá, alguém sabe indicar a Sextus onde sintonizar a poderosa televisão norte-coreana. Não é que Sextus domine o coreano, também Nassin Taleb punha desligado o som da Bloomberg.

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