Sextus aproveita o lapso de tempo antes da toleira de amanhã

Hoje sairam várias coisas interessantes na imprensa, algo extraordinário, mesmo até comentários lúcidos, é obra está tudo a estimulantes, antes da toleira que irá explodir a analisar o relatório ultra-secreto do FMI.

Comecemos já por aí, a confissão sobre a incompetência feita pelo FMI. Sextus duvida de tal, como se compreende, não foi nenhuma incompetência, muito pelo contrário, foi até uma bela obra com uma duração muito adequada para conseguir uma recuperação interessante dos empréstimos, uma venda de boa quantidade de dívida grega com prejuízo contido e a criação de condições para realizar mais ganhos através da fileira de privatizações a preços de desconto – a que os gregos se têm tenazmente oposto porque lhes resta sentido prático e não partilham o carácter aluado da desgraçada elite portuguesa que ainda continua a entoar a conhecida canção de adormecer os infantes “o capital não tem pátria”. Dito isto, uma coisa Sextus reconhece, fazer este programa de ajustamento na Grécia continha realmente um bloqueio que nunca antes tinha sido encontrado pelo FMI mas não é crível que tal não tenha sido equacionado. O que se passou foi que a Grécia foi apanhada numa situação descuidada e desprotegida e sofreu a consequência- são estas minudências que enriquecem a história.

Um dos comentários lúcidos foi feito por R Arroja e Sextus recomenda a sua leitura. Resumidamente, RA afirma que mais de um terço das empresas que apresentam lucros têm um rácio de autonomia financeira inferior a 30%. Para trazer o grau de autonomia para valores um pouco superiores a 50% – o habitual nos países do centro da europa – seriam necessários 55 mil M de euros. RA comenta logicamente que os custos associados ao aumento de capital deveriam ser fiscalmente dedutíveis e propõe a eliminação da tributação dos dividendos. Comenta ainda que se torna premente eliminar o enviesamento fiscal associado á dívida financeira que ao longo dos anos favoreceu o recurso ao crédito bancário.
Sextus acredita que a evolução civilizacional para o capitalismo social financeiro – alimentado através dos impostos que mesmos os governos ditos liberais conseguem aumentar com a ideia subjacente mais monónotona possível, oélebre equilíbrio das contas do estado – com a eliminação do risco moral quer ao nível do empresário (o dinheiro não é dele, foi emprestado ao banco mas foi entretanto desviado, pelo menos parcialmente, para a aquisição de bens que se colocam a salvo) quer ao nível do mundo financeiro, consciente de que há sempre um salvador seja com a entrada de capital filho dos impostos seja com a conivência das entidades supostamente reguladoras mas absolutamente cegas a práticas própias dos jogos de azar do casino do que da actividade bancária, supostamente e essencialmente séria e aborrecida.

O segundo comentário é feito por T Cardoso que lembra que a a resolução da dívida pública não resolve o fundamental da derrapagem e patinagem económica e realça que apenas se sabe que os dois caminhos antes trilhados não poderão tirar-nos daqui, seja a produção dirigida para consumo interno suportado pelo endividamento externo, seja a política dos baixos salários. Realmente, a aposta nos baixos salários só poderia acalentar algumas chances de sucesso se houvesse uma desvalorização interna geral, tem sido voluntariamente esquecido que as três dívidas são praticamente iguais, a pública, a externa e a dívida interna privada, sempre acima dos 110%, mas a maior é a última.

Sextus fica confortado por haver mais alguém que afirma que a tecla a tocar não são os baixos salários, são os impostos que devem descer. Se no início há menos receita, desde que haja investimento inteligente passará a haver mais receita num segundo tempo. Claro que a diminuição de 20% dos salários seria para manter durante vários anos, até termos alinhado vários exercícios orçamentais com balança externa positiva.

Um problema importante é a duvidosa aceitação da CE em permitir que baixemos alguns dos impostos para valores aquém dos cobrados nos sítios com taxas já mais baixas, a união económica tem sido outra belíssima canção, esta talvez para adormecer as infantas. A uniformidade dos impostos e mais ainda, as deduções apresentam graus de similitude quando se compara um gato com um tigre, ambos costumam ter uma cauda proeminente.

Com todas as nuances incluídas Sextus gosta de recordar que qualquer plano de ajuste para uma situação como a portuguesa radica sempre, mas sempre, numa estratégia ISI – substituição de importação por industrialização. Quem acredita que uma ISI é compaginável com a moeda única pode com mais convicção defendê-la, quem não acredita não consegue avançar nenhum argumento falsificável, no sentido popperiano, para o fazer.

Isto sem contar com todos os argumentos que Sextus prefere, a preservação da soberania só realmente exequível com moeda. Tem custos, claro que tem mas não aqueles que são apregoados pelos sábios do costume que tão bem nos guiaram até aqui.

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