The plain real “Glorious Revolution” of TINA vs TINA or when size does really matter

Um céptico faz quase sempre figura de bota de elástico e Sextus, numa frágil tentativa disso evitar opta por um título em inglês, que fica sempre bem, depois ao ler se perceberá.

Se percorrermos as livrarias, se frequentarmos as reuniões da dita sociedade civil, se optarmos por canais de televisão especializados, se pusermos os olhos nalguns blogues, se lermos os mais conhecidos editoriais, a infiltração em todos esses recantos da economia e das finanças é demonstrativa, chega a ser abafante. Nunca tantos se descobriram como conhecedores da economia, de gestão, menos de finanças, é certo.
Este movimento que deverá continuar até á emergência do ridículo, sendo certo que nos tempos actuais de decadência global pós-pós-moderna, o mais difícil é apanhar o ridículo – em tempos de crise avançada, o ridículo está em toda a sociedade, por definição ,veja-se o caso da gaulesa PSA e a substituição do seu PDG, com as descobertas do ridículo mais comum, a infantilização aceite, onde o dito escândalo sobre a discussão da reforma milionária, perfeitamente tolo para os valores moderados em causa, vela o principal escândalo da referida demissão não ter assumido a forma adulta de despedimento por justa causa, sem indemnização, tendo em conta os falhanços de direcção, com a cereja em cima do bolo no interessante facto do senhor em causa ter como licenciatura, medicina. Convém lembrar que o ridículo está constitucionalmente associado à infância e mais tristemente à senilidade, oscilámos entre criança e velho, fases da vida razoavelmente dispensadas de risco moral.

O debate em Portugal tem estado centrado na austeridade expansionista, bastante desacreditada, um filho bastardo da destruição criativa, mas na Europa e EUA atenta-se de novo na dicotomia entre Hayek e Keynes. Sextus sente-se mais perto de Hayek mas está distante o suficiente porque não acredita que o mercado seja capaz de por si só manter a liberdade da concorrência ou de concentrar a retrato mais fiel da verdade nos preços.
O velho Orwell com a sua clarividência bacilar rapidamente apontou a debilidade mais óbvia em Hayek, não eram as fragilidades de qualquer teoria de uma pro-ciência como a economia, era a visão cíclope, limitada a um olho: tudo o que Hayek dizia sobre o funcionamento estatal podia ser dito sobre o privado, uma vez este chegado ás dimensões do sector público.
Curiosamente, o próprio Schumpeter percebeu isso no fim da sua vida, descrendo que o seu conceito da destruição criativa fosse exequível em produtores de grande dimensão – as tentativas semi-falhadas, semi-sucedidas da Microsoft sobre os sistemas na internet são o exemplo maior e mais próximo de nós. A partir de um certo tamanho, a partir da redução até um nível baixo mas de definição difícil no número de concorrentes, a cartelização é a norma, o credo das entidades reguladoras é para os tolos.

A cartelização financeira tomou primeiro controlo do poder estatal durante a segunda metade do século XIX e foi avançando lentamente, durante a centúria passada, para a filiação. Se nos oitocentos, as decisões eram influenciadas pelas finanças, a partir do último quartel dos novecentos, a ligação evoluiu para o incesto e perfilhação – Rockefeller lamentou o surgimento das teorias de Hayek nos anos oitenta nos EUA porque acreditava que o keynesianismo americano tinha evoluído para a melhor forma possível, a parceria entre o público e o mundo financeiro – um homem de negócios foi sempre mais clarividente que um académico.
Na realidade, o propalado triunfo de Hayek constitui uma das maiores mistificações comunicacionais, tardemo-nos na emergência das parcerias público-privadas durante os anos Blair, paródia iluminante de um discurso de menos estado, espelho de uma negação de Keynes, em valsa alegre com a pràtica de mais estado, repúdio de Hayek – de certo modo, nova mascarada da crise avançada em que o subconsciente, depósito dos valores que se apregoam mas que profundamente se repudiam, sobrevive com a mistela englobante dos contrários, a mãe, ou filha se se quiser, da TINA.

O crescimento imparável do cartel financeiro fez da sociedade uma vitrina dos erros que Orwell especulou: controlo máximo, ausência de alternativas com a derivada pressão constante, suficiente no caso dos pequenos (a nota da CE sobre a decisão de Cavaco não seria possível noutros países de maiores dimensões) ou por comportamentos em zigue-zague permanente, fatigando e desorientando, com a cereja no topo da suposta sobre-informação, verdeiramente apenas manipulação.

se Sextus afirma que “size does matter”, então a globalização da produção e da sua organização podia ser entendida como um caminho prometedor mas não é. Seguindo as esperadas reviravoltas inerentes à actividade humana, a globalização apresenta uma irreprimível e constitucional tendência para se fechar sobre si mesma e rapidamente apresentar o seu carácter totalitário. O caminho para a servidão de Hayek não é aberto apenas pela estatização mas sim desembaraçadamente desbravado pela globalização com a uniformidade das vontades: na versão lusa, animar e não assustar os mercados.

Um dos caminhos para minorar o desastre passa, quase de certeza, pelo desmantelamento dos grandes bancos em múltiplas instituições com o regresso da separação entre banca comercial e de investimentos que, de entre muitas das consequências, tornará menos concentradora actividade política, dando azo ao nascimento de mais do que uma TINA .

Em paralelo, teremos que apreender que a eficácia e a eficiência como valores dominantes são incompatíveis com a preservação da raça humana, mesmo um darwinista reconhecerá isto desde que pense um pouco mais devagar. Historicamente, o complicado foi garantir emprego, o excelente foi assegurar emprego eficiente que, por rotina, teve que conviver com a criação de dívida – um dos erros conceptuais da austeridade, isto se a austeridade tem a dignidade de erro e não de embuste, é reafirmar que o progresso se baseia no aforramento anterior, uma verdade de per si mas longe de atingir o seu fim, aforramento foi ainda maior nos países continentais do que na Inglaterra, a diferença residiu na criação de leis estáveis e com alguma razoabilidade (não se exagere neste ponto, isso faz parte da notável auto-publicidade anglo-saxónica) e num ambiente de cooperação entre os grandes senhores da terra e comerciantes que possibilitou a reunião de capital disponível para o risco, incluindo a intermediação financeira.

Superficialmente pode parecer contraditório mas não o é, o emprego tornar-se-á ainda mais importante numa sociedade em que o tempo de lazer cresce, as crianças descobrem isso cedo, é durante as brincadeiras que cada um tem que ter um papel o mais bem definido possível, dito de outro modo, a redundância só é uma bondade funcionante a algo que é estritamente necessário, no fundo uma definição de redundância.

Esta problemática sempre esteve na primeira linha, a superficialidae e o supérfluo é que têm garantido e elevado o nosso grau de humanidade. O supérfluo mais fecundo e poderoso é o tempo de que se dispõe, em contrapartida, um dos perigos mais cortantes é o excesso de tempo vazio porque, tal como na teoria do valor marginal, o tempo vazio anula o tempo, algo que é destrutivo nas sociedades de fim de ciclo, sem sagrado, sem motivo, sem cimento, as massas sem líder e sem ideias. A eliminação do excesso de tempo elimina a liberdade da vida que passa a assumir a restrição do automatismo animal, cada estímulo, uma resposta pré-determinada

O dilema actual, de certo modo, recria em farsa o que confrontou Esparta e Atenas, entre virtude viciosa e vício virtuoso, entre ordem totalitária e desordem controlada. Foi disso que tratou a Revolução Gloriosa, cedo amolecida e mascarada pelo incesto entre Westminster e a City. O que irá acontecer quando reconhecermos que vivemos afogados em contrafacção dependerá do grau de decadência a que chegarmos.

Pode um rochedo redesenhado e amolecido pela maré voltar a ser anfractuoso, já Tocqueville se perguntou há dois séculos e Orwell há meio, pela aragem, daqui a outro meio só sonharemos com pedrinhas roliças, porque “size does matter”..

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