Transportes facilitado e activo e a rede europeia de caminho de ferro ou quando a biologia nos pode dar algumas boas ideias

Vamos prosseguir com a missão impossível, tentar discutir alguns assuntos com alguma racionalidade pertencente ao logos e não á retórica, mas temos que reconhecer a dimensão do problema. Nunca como hoje a verdade está na palavra, lamente-se apenas que os sofistas são de pouca qualidade, aparente. Esta pouca qualidade é trabalhada, procurada, não se trata de uma inevitável excrescência de um défice, a novilíngua desceu á ralé e por lá quer ficar.

As últimas semanas são ricas nestes terrenos, desde as praxes, o menino da Madeira, o acidentado de Chaves e no topo a cereja berrante de Miró. Sextus concorda que esta descida nos pregões não tem um paralelo muito próximo noutras paragens da generosa Europa, mas a inovadora e avançada Italia com Silvio apenas continuou o tiro de partida anglo-saxónico com Diana e outra fauna e os gauleses descobriram finalmente os amanteigados croissants. A Lusitãnea tem isto mas noutra dimensão, maior, os incomparáveis telejornais da hora “prime” com noventa minutos de agonia, onde o dominante é o zigue-zague contraditório, não das fontes mas das interpretações das ditas. Não há factos, já se sabia e as postas mirandesas do processamento cerebral dão carpaccios de tudo e mais alguma coisa, não sabemos se é presunto, salmão fumado, lombo, o que seja. O ocidente transmutou o pensamento zen oriental que implica contenção numa feira de incontinência. Já que os mercados têm “animal spirits”, porque não termos os dejectos?

Sextus quer lembrar que nada isto é muito novo, com a excepção da dimensão gigante do receptor e da capacidade do transmissor lá chegar.

Uma discussão interessante foi levantada pela introdução do tema caminho de ferro que a insubstituível CE acha deficitária. A comprovação disto é nenhuma e será igualmente robusta como era a agenda de Lisboa sobre a competitividade europeia. Por exemplo, os USA, sempre elogiados como mais competitivos, são proprietários de uma rede ferroviária razoavelmente decrépita. Aqui, depois das reuniões de croquete e “powerpoint” de TGV, passaram-nos a vender a necessidade de uma maior velocidade no transporte das mercadorias, fundamental para as alfaces, para os tomates e para as flores. Sextus, ecológico convicto, fica radiante, nunca mais os europeus dirão que as alfaces portuguesas têm bichas, que os tomates estão moles e que as flores estão murchas. É pena não haver dinheiro para o novo aeroporto de Lisboa, já que projectos tínhamos nós depois de, sensatamente, termos descoberto que o mesmo se encaminhava para a saturação nos idos dos anos sessenta do século passado e consequentemente termos constituído um apropriado gabinete de estudos para tal, que funcionou quase durante cinquenta anos (terá, infelizmente, encerrado por volta de 2005, o destino foi cruel).

No intervalo necessário para a resolução deste problema deveras inadiável, pudemos ouvir distintos comentadores a proclamar por soluções, essas sim decisivas, para a melhoria da gestão da coisa pública. O distinto economista Bento reclamava melhores salários para os gestores de topo das empresas públicas de modo a evitarmos a grande sangria que o sector privado causaria, ele mesmo necessitado, apesar de pagar muito melhor, depois de ter sofrido igual tratamento pelos seus competidores internacionais à cata de clones de Horta Osório, Mexia, Salgados e tutti quanti. Sextus abre um parêntesis para expressar o seu lamento ao ver a falta de modéstia da sua classe; depois de termos visto eleito como melhor gestor de empresas públicas um médico, a boa educação mandata que na próxima reunião plenária médica portuguesa elejamos como melhor médico um gestor – les beaux esprits se retrouvent, voilá.
Depois tivemos um ex-político, MMonteiro, a clamar por um sistema mais presidencial, em que o PR acumulasse as funções de primeiro-ministro. Enfim, tudo isto é triste, tudo isto é fado.

Na opinião pirrónica de Sextus a gestão é realmente uma ciência oculta, embora isto não deva servir de fundamento para atribuir salários aos seus acólitos da mesma grandeza que liberalmente outorgamos aos mágicos de grande qualidade. O cerne da gestão não está na arte, mas na imputação de responsabilidades. Se quem tomar a decisão constituir também a fonte aonde se vão buscar os recursos, a qualidade melhorará imediatamente e muitos erros grosseiros, mesmo que não evitados de todo, serão muito adelgaçados – transformaremos a posta mirandesa no citado carpaccio, num contexto diferente, entenda-se.

Quanto à rede ferroviária, é essencialmente um desejo de vender mais material, franco, alemão e um pouco do festivo italiano – vamos ter luzes a apagar e a acender, é verdade que natal é quando o homem quiser – conjugado com o poder de amalgamar ainda mais a célula europeia. Quer-se facilitar o transporte. Aqui Sextus recorre à biologia. É verdade que o transporte intra-celular e inter-celular é fundamental para os organismos mas, mais ainda do que isso, foi a capacidade da constituição da parede. Se não tivesse surgido a parede celular nos vegetais ou a membrana celular nos animais não teria havido evolução. O magma genético seria inútil se não tivesse havido separação. Parafraseando Dawkins, o gene egoísta só viveu porque alguém se encarregou de construir uma parede, uma membrana, sem isso continuaria tola e abulicamente ligado a todos os outros genes.

Sem querer forçar muito a nota, a integração europeia, dita uma das etapas da integração global é um monumento ao inexplicável e suicida desejo de todos juntos, é o projecto da manada que não quer parar de crescer até não se poder mover, ou o círculo dos pinguins porque está inverno lá fora. Talvez seja isso, está inverno – bom, há sempre umas Caimão á sua espera.

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