Sextus contra mais de setenta ou o fardo de um país não confiável ou voltem dinossauros, estão perdoados

Já aqui se tem elaborado sobre as falhas constitucionais da linguagem, algo que não pode buscar a sua origem em crise alguma excepto a crise do fosso intransponível entre o significante e o significado que são ligados por possíveis inúmeras pontes que levam e partem de sítios diferentes. Esta semana foi fértil nestes exemplos e não só.

Começamos com o manifesto dos setenta ou setenta e dois, mas seja quantos são, Sextus leu o documento, algo mal escrito e mais uma vez ao lado das duas principais questões que, honra lhe seja feita, Medina Carreira já há muito as formulou. No fundo, o manifesto proclama, de forma implícita, o bloqueio que constitui a incapacidade em reunir capital para investir, algo que os signatários imputam, pelo menso de modo parcial, ao montante de juros que pagamos anualmente. Não respondem á pergunta essencial e inevitável a quem pede dinheiro, para usar de que modo? Nos seus programas, já bastante repetidos, monótonos e portanto pouco atraentes, desadaptados do duplipensar que corre a velocidade sideral, Medina afirma a pouca confiança que merecemos juntos dos outros quando apresentamos o nosso registo de lentidão e incapacidade frequnete de dirimir conflitos, aclarar insuficiências, autorizar projectos. Tão importante, para que é que seria investido esse capital? A crença que a ineficácia, poder-se-ia dizer a loucura, genuína ou irmã da corrupção, das decisões de investimento, ratificadas por um conjunto alargado de banqueiros que se passeiam de cabeça alta para melhor proclamar despudoramente as soluções para o buraco que cavaram – o discurso que o mal luso entronca fundamentalmente na inépcia dos políticos centrais ou locais constitui infelizmente uma falácia – iria dar lugar a uma sequência alargada de boas decisões de investimento é compreensível nestes tempos revolucionários de homem novo e mundo novo a nascerem da nova primeira manhã alegre, da nova primavera e do novo rouxinol.

Tal como outros já antes apontaram, o problema português é duplo, quer de oferta, quer de procura, logo muito mais resistente á resolução do que aqueles que padecem de problema do lado da procura. A oferta nacional é escassa embora abundante após as importações que pagamos com o dinheiro dos credores e a procura vai descendo em busca do mirífico e salvador empobrecimento prometido e finalmente cumprido – desde Eanes, o político que cumpre, que não tinha havido outro que o fizesse e tal seria um grande mérito se PPC afirmasse mais duas coisas: um passo atrás antes dois passos á frente e uma implementação de um plano de reformas interessante – até Sextus, homem de boa memória já se esqueceu das centos e tal páginas regeneradoras do político sempre em pé, menos ainda do que as reformas diárias que o ministro da saúde estaria a implementar, segundo um dos seus mais dilectos colaboradores, talves desde anteontem.

Os setenta e tal não respondem a isto nem nunca o fariam. Alguns dos críticos apontaram que, no fundo, este documento seria um derivado da recusa fora do tempo do euro e este ainda é um dos tabus do actual regime – louve-se mais um tabu do rei deles, o nosso presidente exonerou dois dos seus colaboradores, sem sabermos se foi por deslealdade, se foi por seguir estritamente a política TINA, a antecâmara da sociedade de futuro (que digo eu, não há tal coisa), seja por pouco conhecimento, seja por imaginação a mais.

O tabu vai durar o tempo que tiver o pensamento mágico sobre os crescimentos sustentados dos próximos trinta anos, altura em que já se projecta o país poderá albergar pouco mais de sete milhões de habitantes ou o tempo que faltar até a Europa mudar de política, imprimir euros e mais euros e empurrar ruidosamente os problemas com a barriga – nessa impressão vai sempre sobrar alguma coisa para os periféricos. Tal tem sido já feito nos USA com sucesso mitigado pela voracidade do monstro dos créditos mal parados da banca americana e pela atracção fatal que os mercados de capitais exercem sobre o mesmo. Sextus bem gostaria de saber quantos dólares chegam à economia fora de Wall Street. O dinheiro é criado no FED mas como não circula nem sequer gera uma inflaçãozinha que se veja, algo que preocupa os preclaros do FMI, certamente a ser brevemente resolvido pelo português seguinte a cruzar o oceano. Mas isto são os problemas de quem quer fazer crer aos seus governados que lidam com um problema de oferta e não de procura.

Enquanto que o pensamento mágico continua, intervalado por mais ou menos subtil duplipensar e por grosseiro “sol enganador” – magnífico filme, bem entendido – curiosamente a iluminar o homem novo, seguinte ao falecimento do novo homem, o tal do fim da história, tudo vai continuar alinhado com o movimento do presente, claro que sem que o kebab deixe de pingar e continue a rodar para melhor fatiar. O fim de um tempo histórico deve ser sempre assim, os plutocratas isolam-se e já não depositam muita esperança no desresponsabilizar que a populaça medeia, nos nossos tempos pelo voto eleitoral – este movimento é personificado na política TINA – e a elite assume a personificação do primeiro agente passivo. Inerentes a esses tempos de cinismo tardio é a falta de confiança nas sociedades.

Aqui chegamos à ultima parte da semana. A troca de afirmações entre o CSM e o BP é lamentável e certamente não pode gerar muita credibilidade junto de investidores. É certo que a impunidade pode agradar bastante ao mundo financeiro, quer de forma mais ou menos inclusiva, como as deduções, algo incompatíveis com a representação (para isso os pais fundadores como Payne passam rapidamente ao oblívio), quer de forma exclusiva, com os “off-shores”. Mas tudo que é demais é erro e isto parce sê-lo. Claro que também só pode alimentar a falta de confinaça global.
Portugal destaca-se nisso, foi pioneiro. Num estudo dos vinte e três países mais ricos (dados de 2006), Portugal é o que apresentava a mais baixa taxa de confiança entre os seus nacionais, 10%, enquanto que a Espanha e quase todos os outros europeus apresentavam valores á volta de 40%, mas os escandinavos e os japoneses exibiam patamares de confinança a roçar os 80%. Nessa altura nos USA observa-se um valor também peto dos 40%. O interessante é que para o império do presente há dados mais seriados, espelhando a concepção de fim de época. Em 1950, os USA confiavam em cerca de 60% dos seus nacionais, o valor desceu para 40% em 2005 e em 2014, desceu para 19%.

Uma sociedade sem projecto porque não confia naquilo que disse constituir o cimento da sua formação, que não confia nos seus companheiros de destino e que não confia no futuro -taxas de natalidade insustentáveis -está a chegar ao seu fim.
Falta saber se nesses derradeiros momentos é permitido á periferia saír do núcleo e constituir outro, ou seja, o que é mais fácil, atravessar o buraco negro como pequeno ou como grande a desfazer-se em associação. Os estados médios sabem a resposta, querem os pequenos com eles.
A falácia da globalização como estadio de uma TINA inevitável por definição e bela por acaso foi talvez uma das histórias mais mal contadas de sempre ou talvez seja o devir mais provável de um animal gregário, infantil mas respeitador das hierarquias cerebrais com o antigo a acabar por dominar o novo – voltem dinossauros, os vossos estragos estão perdoados

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s