O lado de cima do equador é igual ao lado de baixo ou talvez se possa ir do Rio até Francoforte de comboio

Um dos fenónemos interessantes destes tempos é a convivência fácil entre a TINA, o duplipensar, a fractalidade taoista, incluindo a sua fase terminal, zen. Inadvertidamente, esta mistura explosivamente interessante encontrou o seu devir apenas através da farinha da manipulação. Sextus não deixa de reconhecer e sorrir perante esta evolução que, para já, se exibe primordialmente pelo psicadelismo fractal que só produz borrões na retina ligada a um cérebro perdido nas suas circunvoluções, antecãmara do sub-homem ou do zombie do futuro, em fuga desesperançada do grande irmão, o governo global.

Enquanto que assistimos à queda continuada dos juros da dívida lusitana, a caminho de valores quase, mas ainda não realmente, sustentáveis, as explicações que os irrequietos economistas avançam pertencem á fractalidade zen, os juros descem mas os fundamentais apresentam trajectórias centrífugas com combinações entre o trabalho liberta e o alto desemprego estrutural que assim irá continuar. Desta vez, as reputadas agências de notação ainda não acompanharam os mercados de forma que vão ser os mercados a informar as ditas e não estas a guiar os ditos, nada que o homem moderno não considere fácil de apreender ou uma Grécia revisitada em que o homem andasse à procura de Diógenes.

Continuamos animados á espera do tiro de partida para o crescimento redentor da dívida enquanto que somos informados que o estado social não é sustentável. Bom, lá está a TINA do pagamento com a tininha do crescimento, algo também muito zen, poupe-se finalmente para as pensões e produza-se mais para os ricos do oriente e da áfrica, deitem-se fora os cartões de plástico do crédito, tudo isto será acompanhado de magníficas valorizações de todos e mais alguns, principalmente os bancos que terão de desalavancar. Quem achar isto difícil ou contraditório, Sextus recomenda a audição de uma velhinha musiquinha de Chico Buarque, a “Corrente” ou do gastar á custa de hipotéticos rendimentos futuros para o pagar as despesas passadas ou ainda confundir a localização da assimetria entre a falta de oferta com a falta de procura – venham os gestores com a lanterna para elucidar o dilema.

O Brasil vem sempre a propósito. Os nossos primos, sobrinhos, enteados e outros estão a mostrar como se organiza um mundial de futebol e no fim tudo se passará bem como de costume acontece debaixo dos panos. Nada que não se possa comparar ao que se passa do lado de cima do equador embora aquela terra não tem governo nem nunca terá, já cantava Nascimento.
Por exemplo, o vizinho norte-americano lida no momento, com a descoberta da proficiência exemplar das autoridades reguladoras dos automóveis que sabiam das deficiências dos modelos da GM mas que se distrairam e nada comunicaram até que a mesma GM, preocupada, optou por chamar alguns milhões de carros. Estavam certamente mais bem colocadas que o Pedro do século XXI (o que vive em frente da estação de combóios em Francoforte, o melhor sítio para os ver), que ontem negou três vezes ter conhecido o BPN e só o reconheceu depois dos benefícios informadores de uma carta anónima – quando se pensa que este enorme gestor financeiro é o vice do super Mário preocupamo-nos em ter a lanterna à mão se for preciso irmos em busca do substituto caso esse gigante italiano perca a capa dos super-poderes numa reunião já esquecida.

Também ontem, ficámos a saber da preocupação de um gestor da saúde por estar vulnerável a morrer como um cão, mais ou menos três meses depois de ter apontado as reformas diárias do SNS, que julgávamos nós, iriam sustentar o dito. É verdade que três meses num cão equivalem a cerca de dois anos, período mais adequado a mudar tão radicalmente de ideias, mais ainda especulando que o dia seja uma semana e logo as reformas não fossem diárias mas sim semanais, pelo menos à escala humana.

Vá lá, vá lá, temos ao menos o governo francês renovado e com as mangas arregaçadas para liderar a França. Sextus não pode deixar de sugerir isto a PPC, em Portugal ainda é mais quente do que na Gaulia e sempre se prevenia o suar em bica de alguns como frequentemente, Relvas exibia. Os franceses podem estar agora mais descansados, é sabido que empurrar um carro avariado se faz melhor com os braços desnudados.

Voltando ao tempo em que os homens falavam, Tocqueville sustentava que a representação dos regimes democráticos se baseava na progressiva complexidade da administração que a tornava inacessível ao cidadão comum mas para que tudo não degenerasse rapidamente era necessário contrapoderes institucionalizados e uma imprensa livre. O senhor Trigo Pereira respondeu a estas equações na semana passada quando lembrou o tempo em que era muito jovem e pensava que aqueles que eram eleitos tomavam decisões para a melhor defesa da pátria mas que agora, pensava diferente (curiosamente propõe que mais impostos são uma boa solução, provando que as recaídas podem ser mais perigosas que os eventos iniciais). Spengler, os alemães são sempre mais directos, sobre a imprensa demandava quem pagava.

Os globalistas deveriam responder – é verdade, o nosso tempo não é de homens falantes mas dos que teclam impenitentemente – à falta de encontro entre representação cada vez mais profunda e mais distante com a desqualificação da gestão dessa mesma representação. Esta globalização que soberba e tolamente reivindica a optimização geral é na verdade inimiga frontal da liberdade, da independência e da derivada autonomia decisória, constitui um obstáculo inultrapassável pelo gigantesco ruído que contamina a boa representação do poder e de facto conflitua com a redundância, fonte de todos os contra poderes que Tocqueville bem percebia serem essenciais nas sociedades laicas de poder desinvestidos da representação divina. Algo que os chineses, povo por excelência arreligioso, compreenderam e substituiram pela avaliação necessária se bem que tendencialmente insuficiente da preservação da paz celestial, critério último da legitimação do poder, ou seja, o reconhecimento teórico da predominância da avaliação ex-post sobre a fundamentação ex-ante.

No presente, o poder foi tomado por um grupo de funcionários imaturos que leram infelizmente Fukuyama e treleram Tocqueville e Adam Smith. Vão saltitando de local e ainda têm margem, olhe-se para a vastidão africana, embora sob a ameaça da desertificação que poderá crescer aceleradamente se as previsões demográficas se cumprirem. O capital financeiro, corrija-se, o capital social-financeiro pois capturou a maior fatia dos impostos desde há algumas décadas e com o á vontade bem traduzido na concepção das parcerias público-privadas, cumpre o seu destino deslocando-se em busca do maior lucro, ou seja os sítios das primícias imaturas muito mais do que os sítios da inovação – retire-se o capital envolvido nas finanças e no sector dos hidrocarbonetos e ficariámos espantados com a baixa cpatação de capital pelos USA.

Talvez que a globalização esteja a criar o filho que a vai destruir. O ocidente vai aprender com o oriente que a preservação da ordem é superior à conquista de eficiência e eficácia e quando a história as põe em oposição – aqui os globalistas têm razão ao defenderam que isto só raramente ocorre – a preservação da dita paz celestial é a vencedora nem que tenha que passar pela paz dos aciprestes.

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