Onde Sextus explica porque falhou na entrada na bolsa quando Helena comeu a canja

Sextus junta-se aos mercados que vêm prestando homenagem a Ellas e declara que gregos estamos nós todos e mágico é o nosso pensamento. Outra herança fundamental, embora derivada da primeira, é a assincronia do pensamento grego clássico que embora tenha gerado a deusa da história esta, verdadeiramente, só nasceu nas civilizações não helénicas. No pensamento mágico não há tempo, não há causa, logo não há história, só tragédia – mais tarde e menos nobre, lá surgiu a comédia.

O pensamento mágico possui, no entanto, virtualidades nada desprezíveis, sendo talvez a primeira a capacidade de estabelecer pontes particulares entre margens animadas de movimentos assimétricos, não são bem pontes, são passagens igualmente mágicas, caso contrário desmoronariam.

No presente, o pensamento mágico é o único que pode sobreviver num enquadramento de generalizado cinismo que tinha transportado o pensamento fractal para a circularidade – já não se trata da quadratura do círculo mas mais apropriadamente da circularidade, que se quer repetida ad nauseum, da quadratura não resolvida.

A evolução dos juros nos mercados da dívida soberana são muito melhor apreendidos debaixo da luz do cinismo e da morte da razão lógica, não vale a pena alargar os funerais ás IPSS, o maior de todos eles já se realizou, o capital financeiro já enterrou há muito Kant.

A mágica evolução dos juros também pode ser resgatada, apesar de tudo, á ilusão geral e desvelar em toda a plenitude o excesso de capital circulante que já tem dificuldade em achar o seu investimento, particularmente com o afundamento do interesse no Brasil e na Índia e com o controlo, ainda que parcial, da sua entrada na China. Basta pensar nos juros negatvos da dívida germãnica e quase negativos da norte-americana para nos aperceber da dimensão deste capital que quer trabalhar mas que não encontra emprego. Este excesso de capital deriva de duas causas fundamentais, a grandeza do alívio quantitativo americano nos últimos quatro anos, mas também do impresso pelo BCE que tem passado mais anonimamente mas que rivaliza com o americano – a isto há que juntar aqueles que foram teclados na City e em Tokyo. A outra causa radica na captura do produto interno bruto e que se vem aprofundando nas últimas décadas, com um recuo de algo mais de dez por cento para o trabalho desde um pico de 55% a meio dos anos sessenta e de uma maior fatia no que respeita tão somente o capital financeiro, que já valerá ao redor de 17% do PIB, vindo de valores um pouco abaixo dos 10%, também comparando com a mesma época.

Façamos pois contas muito fáceis: o capital financeiro dobrou a captura na fatia do capital em geral, que por sua vez aumentou a sua no bolo do PIB, isto mesmo em sociedades centrais como a americana. Sextus bem gostaria de saber como se comportam estes números em países periféricos como a Lusitãnea-cacânea e partilha com Orlov a opinião que uma contabilidade mais realista deveria eliminar o capital financeiro da avaliação do PIB.

O carácter especulativo destes movimentos é espelhado com razoável nitidez quer pela abrupta descida dos juros das dívidas públicas, quer pelas apostas principais nas bolsas, onde as acções dos bancos são as mais transaccionadas. Obviamente, nada mudou nestes meses no que interessam os dilemas a curto e médio prazo dos países periféricos e do Império, mais uma vez disposto a entrar numa guerra – a tríada clássica da crise e colapso dos imperios é constituída por inflação, dívida e guerra repetida, embora Sextus reconheça que poder não se equivale a riqueza material mas a vontade de exercer a violência e isso o Império mantém intacta.

Há que suportar o lamento quaresmal, a falha da entrada na bolsa por Sextus, ainda por cima acicatado por um amigo que sustenta que os alemães gostam da austeridade – Sextus contrapõe que a austeridade enamorou-se de nós e a madrinha quer que nos amamcebamos com ela – mas tudo tem explicação. Helena, não de Tróia mas de Sextus, comeu a canja toda, lá se foram os fígados, as moelas, o coração, as cristas, tudo aquilo que era mais do que necessário, até as patas engolidas com os seus desdos tão abrangentes de direcções, as vestes rasgo por Zeus ser tão cruel e cego me ter feito, já não consigo saber que acções comprar.

PS: segundo um comentador da blogosfera, estamos ainda na quinta-feira mas já sabemos que, desta vez, Barrabás sempre foi solto.
Livro da Páscoa: Immoderate greatness, why civilizations falls, W Ophuls

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