Onde se prova que está tudo ligado ou que a história realmente nunca se repete mas a verdade é que varia pouco

Apesar de ser muito difícil conseguir ler notícias que sejam retratos razoavelmente compreensivos e credíveis de ocorrências lá conseguimos pescar três e a partir derivar para algumas considerações.

A primeira chamada vai para os textos sobre mergulho no desconhecido pelo grupo BES. A segunda, para a contínua subida da dívida pública, agora um pouco superior a 134% do PIB. A terceira, para as perspectivas da evolução demográfica em Portugal. A derivação a comentar, nestes caso são duas embora pareçam ser primas, os textos de HM e HM no Expresso e Observador. O caule que integra, Arendt, o bouquet resultante, Sloterdijk.

A crise no grupo BES foi inesperada para quem não pertencesse aos íntimos do mesmo. Não se percebia bem como, mas parecia que o grupo tinha-se protegido de grandes problemas porque tinha apostado no pote de ouro, as parcerias público-privadas lusas, verdadeiro garante de calma e longa vida e no empréstimo para habitação a particulares, um dos mais resistentes a entrar em falência de pagamento. Era público que tinha feito vários negócios em Espanha e na América Latina e de fora, pelo menos, não parecia haver nada de muito volátil. A própria natureza desses investimentos não era de carácter altamente especulativo, logo algo distante quer de colossais ganhos quer de letais perdas. Enganamo-nos. Ainda está por fazer o relato sério sobre esta falência, provavelmente nunca o será mas a linha de base só pode encontrar-se muito mais na incompetência e ou no roubo do que no risco inerente ás apostas feitas. A evolução para uma caricatura da tendência do capitalismo de acasalar dívida com crescimento tornou-se ainda mais rabelaisiana com o gigantismo das empresas financeiras do presente, que, mais do que cumprir o aforismo de serem demasiado grandes para falir, tornaram-se demasiado pesadas para triunfar. Os ganhos tomaram uma aparência totalmente burlesca. Tratamos aqui de um sucedâneo de um sistema de irrigação em que o lucro provém das perdas do sistema, colectado diligentemente e pela calada pelos gestores do sistema, mais do que dos efeitos pretendidos e projectados dessa instalação. Não é aquilo que o sistema permite ganhar, o lucro está nas perdas do sistema, não são as estradas que desenvolvem o país, são as comissões que vivificam muito a economia de alguns.

Ligamos á dívida pública, agora que chegou aos 134%, valor claramente acima do muito citado mas já caído no olvido, patamar de conflitualidade com o crescimento de R-R, 90%, lembram-se? PPC bem se esforça por demonstrar o impossível, que esta dívida é pagável sem interferir de forma demasiado brutal com o futuro do país. Ainda está por provar se PPC é apenas um representante dos credores, papel que todos os governantes dos países endividados têm desempenhado, ou se está paralisado pelo medo dos credores subirem os juros (algo que é mais do que provável comparativamente aos valores do presente, pagamos menos do que os nossos calmos antípodas, os neozelandeses são cobrados entre 4 a 4.5%) ou pior, depois de descobrirem que a principal receita, a privatisação barata de algumas empresas, pouco já há num país da dimensão de uma grande cidade. Realmente, o nosso tributo está a ser feito por alguns juros e essencialmente via mão de obra, cerca de oitenta mil almas por ano, vá lá, uma quinta com dimensão czarista.
O risco de sermos arrastados na enxurrada que poderá varrer outros sítios ainda dotados de riquezas consideráveis não será irrelevante. No entretanto, o império já multou fortemente um banco francês, faz tenção de alargar o confisco ao outras instituições europeias, começando pelas gordinhas teutónicas, depois das multas que caíaram sobre o JPM e o GS americanos andar á volta de um quinto da imputada aos gauleses – há quem tenha alguma dificuldade em perceber que o capital tem sempre um lado nacional, é isto, muito visível quando a nação em causa se identifica com o poder, menos aparente qunado se trata de um protectorado, condição a que se chega após ter caido na dívida e com que depois se procria e nasce.

Chegamos á questão demográfica, até PPC falou nela no debate sobre o estado da nação e assegurou-nos que vai constituir uma comissão de estudo sobre tal – Sextus até pensava que a anterior ainda meditava sobre este dilema, foi pena dá-la por extinta, como se vê é mais do que necessária.

Aqui é que surge a pequena diferença introduzida pela história, para não se aborrecer e dar prova de que afinal ainda não tinha acabado – É verdade que um dos mais importantes amigos do nipo-americano, o anterior vice-presidente do império já avisou as massas numa entrevista esta semana á Fox que coisas piores do que o 11 de Setembro podem estar na forja, outro sinal de que a dita ainda não feneceu mas que graças á feliz PPP entre o estado americano e a as empresas de segurança, uma das quais, a mais importante, por feliz acaso, é admiravelmente gerida pelo tal vice, esse importante combate pode ser travado com o apoio espiritual e material, já agora, de todo o povo americano, que assim, mais uma vez faz história.

O excesso demográfico sempre foi recorrente, sempre assustou e não apenas Malthus. O excesso demográfico, sem a ajuda dos actuais métodos de contracepção mas parcialmente domado pela mortalidade infantil foi contornado pela exportação da ralé, no conceito arendtiano, para as terras desconhecidas, para as terras a conquistar. Este escape territorial também aliviava a fadiga emocional dessa nação, foi muito útil à europa no século xix. O excesso demográfico europeu do século xx foi atenuado pela mortalidade nas duas guerras e principalmente, pela destruição material que nalguns locais atingiu proporções autenticamente bíblicas, a antiga europa do leste, a alemanha e partes mais restritas da bélgica e da holanda.

O excesso demográfico que reapareceu timidamente nos últimos anos, que alguns tontos disfarçam dizendo que a a europa precisa de emigração para ser sustentável, discurso filial da parelha dívida-crescimento, já não é atenuado pela exportação da ralé mas tem-no sido pelo seu emprego em locais de trabalho de fazem de conta, ramos da enorme burocracia que o estado moderno criou. Mais do que o problema das pensões, que sendo real é de muito menor monta do que o referido no discurso oficial incorporado na TINA (realmente muito mais do que there is no alternative isto devia ser identificado como this is not accurate), o problema é o emprego, particularmente em condições de mobilidade total do capital que finalmente tem à sua disposição dois mil milhões de almas (eh pá, isto nem Catarina a Grande teve) capazes e não os castiços bizarros indus e chinos do século passado.

O excesso é um dos pais da fadiga, esta é irmã do cinismo, a queda da criatura que quis abandonar o cepticismo e abraçar o iluminismo. A treta weber-calvinista trouxe-nos agora aqui, os protestantes foram-se, eram umas crianças com bibes e carrapitos e de tanto cantarem salmos eprderamse nessas correrias, só se vêm sicilianos e judeus triunfantes. Oscilamos entre Diógenes e Dionísio. Snifamos e masturbámo-nos e no intervalo afirmamos que ganhámos.

Ser tudo correr bem voltamos às cidades, se tudo correr mal conforme está por agora traçado e desejado pelos arautos da CE que temem o perigo dos estados nações e propagandeiam as bondades da quietude dos cemitérios das vontades, das diferenças e a alegria globalização – o acordo a celebrar entre a CE e os USA parece ser dos mais sinistros que se possa imaginar, pouco nos restará a fugir para a montanha, lá não haverá ppp ou patentes a defender, espera-se.

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