O século XVI revisitado nega o terceiro excluído ou de bem com os homens por amor a d’El Rei e de bem com El Rei por amor com os homens

A pró-comunicação do presente apoia-se no essencial no pilar emocional – o medo do desconhecido que parece poder assumir-se muito diferente do que é conhecido, uma probabilidade ínfima, diga-se desde já – e no pilar novilinguístico. Quando este par entra em dificuldades socorre-se sempre da multi-informação, antecãmara do desinteresse desorientado.

O pilar emocional apela-se sempre ao consenso, hipotético chegar do caminho até à descoberta da verdade verdadeira. A ciência, de preferência tecnológica constituiria o veículo mais seguro, logo a transformação das ciências do foro social em edifícios também erguidos sobre factos e regras científicas tem sido activamente perseguida.

A economia, uma das últimas ciências sociais a nascer, mais juvenilmente corre atrás desta configuração. Os chamados liberais, agora também apelidados de neoliberais, parecem acreditar que conseguem ler umas leis que mesmo não estando escritas em tábuas divinas seriam em contrapartida tão naturais como as leis da física. São os inconvenientes parceiros historicistas dos seus primos liberais na filosofia – seria curioso perceber a resposta de Popper á mistura daquilo com que concordava, a ausência do contexto, com aquilo que negava, o historicismo, mas talvez o encontrássemos junto de muitos outros dessa área na citada revisita do século XVI.

Sabemos bem que as leis não nos são dadas, somos nós que as construímos. Este processo elaborativo é sujeito provavelmente a regras que não percebemos na sua totalidade, por várias limitações, talvez a maior delas o vocabulário que fomos construindo. Este processo é de uma complexidade irredutível e permitiu uma variedade de resoluções absolutamente esmagadora, mais ainda suspeitando que centenas de línguas terão desaparecido sem deixar vestígio evidente.

A construção desse vocabulário influencia de forma variável o pensamento e está dotado de liberdades que não eram antecipáveis, a mais notória a ausência da atribuição do azul como cor frequente sob que aparece o mar nas histórias gregas, já bem perto do nosso tempo.

Sextus partilha com todos os outros pirrónicos o desgosto da limitação, para já parecendo cristalizada, do vocabulário sobre o pensamento, o exemplo paradigmático está no terceiro excluído.

É verdade que sistemas binários têm sido muito úteis no que se chama de progresso humano mas é paradoxal o seu sucesso debaixo da influência das probabilidades e da auto-referência, verdadeiro inimigo mortal do terceiro excluído, que acabou por falecer aos poucos em companhia da agonia do iluminismo.

As ciências sociais ficaram deste modo em suspensão, se praticadas por um pirrónico, ou avançaram atrevidamente empurradas pelo medo e pelo engano. Nunca como agora foram mais úteis, nunca como agora nada querem o que dizem, nunca como agora fogem da contradição proibida na novilíngua. As ciência sociais, reinventadas como tecnológicas, só poderiam misturar o medo e o engano com a magia da negação do terceiro excluído.

Para se alocar este texto aos dias de hoje, recusando o jovem pensamento dominante no século XVI, pense-se nas narrativas sobre o BES, a nóvel CE, o crecimento luso, a evolução demográfica e o desempenho de ministro da saúde – já não há contradições, tudo é permitido, mas como estamos acima do equador, sempre sob o medo e o engano, as duas muletas de quem ocupa os lugares sem nada querer ou saber fazer.

Oh Dr. Bilhim, que pena, estava a fazer um trabalho tão consistente de confirmar os incapazes, têm que os promover – ala que se faz tarde.

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