E agora, algo completamente diferente, a arte de atirar ao lado, o sumo objectivo da representação e da regulação

A infantilização/cacanização do ocidente continua florescente neste jardim à beira-mar plantado. Muito provavelmente este processo já ultrapassou as barreiras do ocidente classicamente entendido mas o oriente é de estudo difícil e mais trabalhosa apreensão.

Característica da infantilização é a razoável incapacidade para a memória, logo a impossibilidade da responsabilização e a consequente atrofia profunda da autonomia – as crianças e os muito velhos não conseguem sobreviver sozinhos.

Num grupo de crianças há sempre alguns mais atrevidos, mais inclinados à ruptura, capazes, pelo menos de modo superficial, de erigir modelos e sistemas acompanhados das inevitáveis regras constituintes e configurantes. Mas como são crianças, logo desconhecedoras e muito empobrecidas em ética e moral, constroem uma história sob a definição de Voltaire. é uma mentira sobre a qual chegamos a acordo.

É possível às crianças crescerem até adultos e nos tempos modernos o processo pode sofrer influências consideráveis. Sextus acolhe com prazer o desenvolvimento da epigenética, mais um triunfo à custa do determinismo (nas ciências sociais, o historicismo, numa associação longa). Não basta escrevermos uma carta, há carência em abri-la. Neste magníficos tempos -enfim, não há verdadeiramente tempo na Cacânia- a abertura e a leitura são controladas através da barreira da divulgação (o que não aparece nos meios de comunicação, particularmente a tv, não existe) e do dicionário da novilíngua.

Como ultrapassar este estado de coisas? A pergunta não está bem posta, na história humana não há ultrapassagens, há acreções, uma que resultam e se agregam longamente e outras que se desmoronam com mais ou menos brevidade. Aquela que exibe movimentos de ruína á frente dos nossos olhos e que tal reconhecem é a representação, melhor, a representação da representação levada ad nauseum.

Esta derivação submete-se a uma lógica interna, que parece comportar-se seguindo os modelos do historicismo, mas que revela por debaixo dos seus finos véus, uma procura activa da sua existência e alimentação permitindo a captura do estado por pequenos grupos, como sempre tem ocorrido na história humana – a representação da representação foi a válvula de segurança à universalidade do voto. Mas em regra, há sempre algo de novo a acompanhar um pesado e gigantesco velho processo, neste caso a dimensão do estado – o velho Hegel, o sumo sacerdote do estado máximo, tinha muita razão, a quantidade transforma-se e ganha nova qualidade.

Nos discursos novilinguísticos e classificados por alguns de neo-liberais, clama-se por menos estado e melhor, a já bastante gasta frase da devolução à sociedade civil. A praxis tem mostrado uma outra face, o momento é sempre classificado de inapropriado para baixar a dimensão do estado e o seu alargamento via impostos, taxas e outros mecanismos ainda mais engenhosos. De tal forma isto é que a despesa do estado não pára de aumentar. Esta semana tivemos dois exemplos na montra, um mesmo na frente e que arranjou alguns problemas a PPC ao ter laborado para uma das muitas empresas completamente inúteis para além da  partilha do bolo dos impostos e subsídios, e outro, mais extraordinário e farol do futuro, na proposta do nosso homem do ambiente em passar a pagar uma pequena parte do salário em bilhetes de transportes públicos para os portugueses melhor respirarem. O estado esteve presente e quer ainda ser mais intrusivo no futuro.

A representação da representação tem como paradigma os mega estados, na configuração de federações. Na cacânia-europa temos uma figura ainda mais útil por indefinida, extraodinariamente resiliente seguindo o vocabulário da trupe dos gestores. A CE é quasi o sistema perfeito, cheia de regras e controladores / reguladores mas com o grau de aleatoriedade suficiente para lhe conferir robustez.

Nem sequer se pode dizer que a qualidade da representação nos tempos presentes é inferior à do passado. O que é diferente é a quantidade que os representantes querem capturar e a segurança extrema de que se querem rodear tornando-os eternos na máquina do poder. Os casos da Sra Clinton, do sr. Sarkozy tornam-se claros representantes desta forma refinada de segurança e perpetuação. No meio da ingovernabilidade e da TINA, as personalidades tornam-se imprescindíveis, notável pelo seu paradoxo, quando quase nada parece possível e o guião está escrito, a troca do actor torna-se inexequível. – ou já agora, num nível muito mais caseiro, o incomparável sistema Bilhim.

A tensão entre a inutilidade e a perpetuação da representação é que surge aos olhos de Sextus como irresolúvel a médio prazo.

O regresso à vida adulta já não é possível nesta configuração. A saída de um estado grande para mergulhar numa federação dotada de poderes é inútil e será várias vezes repudiada -Escócia e a curto prazo Catalunha. A vida adulta será reiniciada depois de aceitarmos que a representação deve ser o menor possível, não há, não houve nem haverá razões para nela confiar. A regulação é inútil e perigosa por induzir segurança que não existe, a segurança advém das cinco qualidades nucleares enunciadas no mundo antigo.

A vida é uma luta, a segurança adquire-se na experiência dessa luta e da contenção da mesma. A anulação da luta, o desiderato do Leviatã, não produz uma sociedade, quando muito um jardim infantil.

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