A cacânia revelada ou do hábito de falhar ao abandono do fazer

O tempo passado desde o seu início de funções permite com razoável segurança atribuir um rotundo falhanço ao governo de PPC. Sextus não se desdiz, o falhanço está na natureza dos governos mas alguns, por se depararem com problemas que demandam algumas soluções, o caso deste governo, permitem escapar ao seu destino. Mas PPC não escapou – é interessante a nota do painel do Expresso sobre o governo, que há meses se arrasta pelo dez, ora o valor na imprensa e televisão da treta tem de transformado para o valor real, 01.

O falhanço ainda pode continuar por mais alguns anos, talvez algumas décadas desde que a principal tarefa desses governos se cumpra, a manutenção das vias que permitem a fuga – no último ano lá se escapuliram mais de cento e dez mil e este ano, o ritmo parece que se mantém. Não é fácil antecipar o resultado deste movimento combinado com a decisão da população em não se reproduzir, algo que pode atirar o número de portugueses para valores abaixo de oito milhões mais depressa do que se tem projectado. Como é que um número reduzido paga compromissos assumidos por um número muito maior não é imediatamente evidente, mas todos perceberam que a dívida, mais do que para pagar, funciona como mecanismo de retenção. Depois lá virá alguma inflação – mas é difícil entrever as causas para tal – que alivia o esforço da dívida. No entretanto, reflicta-se sobre o surrealismo das taxas de empréstimo junto do BCE, perto dos 0% e os juros das dívidas públicas acima dos 2% da maior parte dos países europeus ditos solúveis e de taxas à volta de cinco e mais % de todos os outros – para mantermos a admiração lembremos a taxa de cerca de 1.5% da falida Irlanda.

O problema demográfico poderia despoletar correcções importantes a médio prazo mas isso talvez não ocorra. A predição do futuro é impossível, talvez que os países ricos escolham apostar em manter as portas semi-abertas para a imigração, recrutando mão de obra barata das periferias ou optem por empurrar para a periferia interior a maioria da sua população. A primeira opção é mais segura para o projecto da globalização desde que o comportamento demográfico dessa periferia não se afaste muito do que ocorre no presente. A globalização tem ainda boas décadas à sua frente para implementar o seu programa, principalmente à custa do potencial africano para explorar.

O desaparecimento da classe média vai enterrar a democracia representativa porque o enfado, o afastamento, a náusea que os representantes desencadeiam na nova ralé em gestação só pode ser resolvida por uma TINA autoritária. A TINA é a contrapartida da globalização. Platão, no meio de alguns erros, acabará por acertar, Churchill estava profundamente errado, a democracia não é o menos mau de todos os regimes, a democracia é o mais inexequível de todos. A democracia representativa resolve o seu oxímoro assumindo como melhor devir a democracia cacânica.

Mas não há historicismo e tudo o que especulamos pode ser grotescamente falso. Pode reaparecer um número suficiente de cidadãos que sabem que não há maior bem que a independência e a liberdade, que são valores desprovidos de potencial de troca, quem o faz muda-se de forma nuclear, transforma-se noutro – a troca pressupõe a manutenção da identidade.

Sem correr grande riso de se enganar, Sextus vê que esse caminho pode ser percorrido com algumas bengalas, ou melhor, recuperando Aron, nesse mar desfavorável agitado por ventos cruzados há alguns rochedos seguros a que nos podemos acolher, os maiores são aqueles que estão ditos acima. Nesse caminho, onde tem de haver menos farinha para atirar pão ás massas, o poder tem de mudar de mãos, as paredes que permitiram a civilização humana terão que ser reerguidas.

Para começar, uma revolução nos impostos: extinção de todos os impostos singulares e a instituição de algo parecido com o que sempre houve, uma nova dízima pessoal. Extinção de todos os subsídios, pessoais e às empresas, particularmente estas que através deles construíram o poder desregulado – abandonar a grande mentira do estado regulador, o único que é viável é o mercado a funcionar correctamente ou o melhor possível. Abandonar o projecto ruinoso dos conglomerados de países, que acabam por ser anulados por tratados viciados – o que envergonhadamente se constrói entre a CE e os USA e que todos os perigosos capatazes mais despudorados subscrevem. Reerguer as fronteiras que nunca deixaram de permitir um nível razoável de trocas. Afastar de vez o filho do comunismo derrotado, o neoliberalismo farsante que não passa de um capitalismo siciliano e que parece querer confirmar o ditado marxista de que o capitalismo abandonado a ele próprio destrói tudo, terminando por ele mesmo.

A tarefa é de monta, a única coisa que a torna possível é que aquilo que nos estão a servir não é sustentável, mas várias civilizações se destruíram e esta não está vacinada, ninguém aprende com a história, ainda bem, mas seria bom se aprendêssemos com a mitologia.

PPC vai passar o testemunho quase igual ao que o encontrou, mas um bocadinho mais perto da parede e com menos incrustações embelezantes.

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