Na periferia não há ilusões perdidas, há ordens para ser cumpridas, passa-se o tempo à espera que passe e dá-se pontapés nas pedras das ruas a abafar o ruído das raposas no galinheiro

As sociedades registaram muitas evoluções consequentes à divisão do trabalho mas uma das mais relevantes foi a delimitação mais clara entre o núcleo e a periferia. No desenho de uma máquina, na sucessão de actos conducentes a um produto, na acumulação orientada de saberes para derivar uma premissa há tempos e zonas centrais e períodos e actos periféricos e laterais. Será sempre impossível perceber se Adam Smith não realizou que a divisão de trabalho não poderia promover desenvolvimentos equilibrados ou que Ricardo não entreviu que o uso das vantagens comparativas é um processo dinâmico, aberto a movimentos de boomerang que podem contrariar as premissas, principalmente quando os resultados a médio-longo prazo sobre  o desenvolvimento de capacidades e a formação de capital fixo são tão díspares – produzir vinho e produzir têxteis levam a duas evoluções muito diferentes, Ricardo não viu, ou viu e escondeu?

Portugal foi empurrado, mas com a sua colaboração activa por cansaço dos trópicos, para a periferia da ponta europeia e vem perdendo para o centro europeu desde os últimos três séculos. Conforme a regra, a elite de uma periferia entra num processo lento de deliquescência e acaba por desaparecer transformada numa trupe de funcionários-capatazes.

O processo de centrifugação não parou aqui mas pode ser sempre atenuado pela dinâmica da massa crítica, claramente uma das variáveis que têm ajudado a vizinha Espanha. É certo que não é imediato reunir uma teoria explicativa para o melhor desempenho dos nórdicos, os outros grandes periféricos, embora o sucesso escandinavo tenha sido pontuado por inflexões dramáticas, com períodos de fome generalizada que levaram á emigração que veio a povoar e constituir os estados centrais da região fronteira entre os EUA e o Canadá.

Uma elite transfigurada como a lusa mais facilmente embarca em aventuras de deslegitimação adicional. Fomos sempre um dos mais entusiastas da transferência de poderes, fomos um dos mais entusiastas da adesão à moeda única. Parte deste infantil e suicidário regozijo adveio de uma ignorância mais ou menos geral das elites actuais, que após a declaração do fim da história quiseram acreditar como  desnecessária a actividade da reflexão sobre o passado. Mesmo assim impressiona a facilidade com que largamos a capacidade de criar dinheiro, só entendível no contexto alargado de demissão pós segunda guerra mundial. Se estivéssemos atentos, um dos sinais mais eloquentes desta demissão – auto-anulação transparecia do envio mais ou menos voluntário das reservas de ouro para os cofres dos bancos federais americanos.

O escândalo da passagem de dados de espionagem alemã para a NSA americana que nada têm a ver com a repetida ad nauseum por acéfala luta contra o terrorismo constitui outro deprimente exemplo do rapto das elites europeias pelo império americano. Ainda estamos a pagar os custos da última grande guerra europeia.

Em Portugal, 2015, lidamos com esta dupla amputação, uma elite que se deixou caricaturar e de muito baixa qualidade por falta de uso – décadas de irresponsabilidade própria de quem só recebe ordens.

Aqui se fundamenta muita da apatia lusitana que já não tem o luxo das ilusões perdidas nem o doce engano da segurança de quem recebe directivas adequadas. A crise europeia tem posto em relevo este duplo desconforto. Não se trata certamente de incompetência pura dos funcionários europeus do presente, realmente a incompetência está mais atrás, nas escolhas impossíveis dos funcionários em período de retirada que ainda tinham sofrido directamente os estilhaços da guerra – o projecto é impossível, o desenho irremediavelmente defeituoso para todos menos para o centro.

A isto há que acrescentar o domínio completo pelo mundo financeiro, algo que se veio a construir lentamente e que atingiu um estádio muito avançado quando a formação de dinheiro passou a estar debaixo do total controlo de alguns poucos que com o tempo passaram a apresentar com toda a exuberância as consequências mais funestas do poder absoluto, a postura de inimputabilidade e da negação – veja-se a narrativa sobre a crise das dívidas soberanas e privadas e a forma como tem sido tratada. Esta crise, muito mais do que qualquer outra coisa, veio exibir o colapso da imprensa como quarto poder e o enterro da democracia partidária no modelo que conhecemos.

O “As if” anglo-saxónico vai ser testado mais uma vez, até agora, alguma qualidade decisória e alguma limitação do alcance das opções tomadas sobre a vida das sociedades (um dos mais eficazes limitadores dos prejuízos ao longo da história humana) têm permitido saídas mais ou menos airosas. A grande dificuldade origina-se no afã do império em garantir por bom período a sua supremacia e das suas mega-empresas, contando para isso com a colaboração activa dos funcionários que foi colocando deste lado do oceano e que foi posicionando no lado asiático do pacífico. É esta grande força que constitui a maior fraqueza porque as consequências do desastre podem ser de tal forma que impliquem um conflito.

A ambição desmedida foi sempre a perda dos poderes sucessivos, claro que determinar aquilo que é desmedido não é imediato nem consensual, não há uma TINA para avaliação dos desmesurado. Aquilo que se joga na definição dos poderes do BCE e dos outros bancos centrais e nos ameaçadores e secretos acordos de livre comércio tem talvez demasiado alcance, o erro vai ser inevitável e pode ser perigosamente grande. A globalização ditatorial e forçada irá descobrir que aquilo que lhe é mais próximo é o magma vulcânico, hiper-destrutivo e que quando arrefece produz cinza e algumas rochas amorfas, só muito depois, milénios, o solo até se pode tornar muito fértil. No magma está tudo, nada se utiliza.

Pode uma mega-elite inimputável e sem contrapoder ter qualidade para lidar com a situação será uma pergunta que a periferia não fará – veja-se a qualidade da imprensa portuguesa – a periferia aguarda ordem para mover ou para aguentar, nesse intervalo estupidifica e dá pontapés nas pedras das ruas.

O que pode ser um país de criados e capatazes sem ilusões? Apenas uma região, aquilo em que nos tornamos, embrulhado num discurso tão leve como o dos servos.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

O paradoxo pirrónico da cacânia: da suspensão do ser até à consequente vacuidade

A história continua a desenrolar a sua curva e a revelar algo daquilo que nos vai apresentar mais à frente. A curva funciona como um teste de stress mas com maior potencial.

Na luso-cacãnia – e na euro-cacânia – há eleições nos próximos meses. Pode haver eleições na cacânia? Poder pode, mas com um enquadramento curioso, cacânico. As eleições servem para perpetuá-la, logo são e não são ao mesmo tempo. Certamente que é difícil operar esta arte, algo como celebrar uma missa e o vigário avisar no preâmbulo que tal para nada serve. A reacção dos assistentes será de desânimo e incredulidade se ainda não tiverem completado a sua aprendizagem do não ser, a entidade máxima. Tal religião implica um assentimento ainda mais completo do que aquele defendido por Newman, o bispo católico convertido na Inglaterra vitoriana.

As eleições são apontadas como um sinal duma governação democrática. Pode haver democracia na cacânia? Poder pode desde que esteja interiorizado a inutilidade  / impossibilidade da governação. A democracia cacânica implica chegar ao fim da história, ao “governo” global onde nada pode existir fora dele.

Pode haver governo cacânico? Poder pode, desde que não exista por já não ser necessário e aqui a ausência é a última prova da sua existência, um pouco como as figuras de polícias de cartão colocados em alguns sítios mais perigosos das estradas do Japão do fim do século.

Pode a cacânia existir? Poder pode desde que não se sinta a necessidade da sua existência por habitar cada um.

A luso-cacãnia via à frente da euro-cacânia, paradoxal emergência do quinto império. A elite local á a mais avançada no processo de cacanização geral a que só escapam o poder imperial – com bolsas de cacanização – e o seu desafiante, o velho império do meio, ainda não afogado depois de ter conseguido evitar o enterro da sua moldura confucionista, ameaçada pelo interregno maoísta. O curioso é a contradição entre a postura do império e o seu devir mais lógico, a cacanização, prole dilecta dos seus pais, o mercado e a globalização. Aqui o paradoxo é entre a aceitação da futilidade da governação e a maximização da sua força por trás das cortinas, claramente descortinada pelas negociações secretas para o assetimento dos tratados comercias trans- atlântico e trans-pacífico.

A elite luso-cacânica tem medo, ou melhor, já está impossibilitada de descortinar a oportunidade gerada pela crise, corolário lógico, na cacânia não há crises nem oportunidades. A elite luso-cacânica sofre quando muito de cefaleias, tão frequentes na organizadora dos chás e jantares frequentados pelo homem sem qualidades. As cefaleias têm origem no medo de falhar as responsabilidades de uma tarefa que já não se vislumbra, são as cefaleias do vazio.

Os debates que aí vêm sobre as eleições serão uma manifestação desse mal-estar da vacuidade antes de se atingir a perfeição do não ser. Aparentemente, os gregos estão à beira de ultrapassar a luso-cacânia neste processo de transmutação. Na Grécia iremos vislumbrar a cacânia pobre talvez ainda antes da Lusitânia, na França aperceberemos a cacânia rica.

Esta transmutação tem pernas para andar porque se serve do paradoxo como moldura da sua existência transmutante. O paradoxo é sempre a forma mais resistente de afirmação até atingir um cansaço fatal. O paradoxo é a reclamação de menos governo para melhor eficiância dos mercados e a exigência dos mercados do poder dos governos, como sempre assim foi – os chamados custos de transacção dos economistas que com a sua demência, induzida ou espontânea, transformaram esses custos numa não existência.

A cacânia tem como paradoxo primário a compatibilização impossível entre governo nacional, democracia e globalização, como paradoxo secundário mas igualmente limitante, a compatibilização entre dívida, crescimento e demografia negativa – na cacânia já Musil indicava que a maternidade era origem de cefaleias e de pulsões contraditórias entre a juventude eterna e a maternidade, o primeiro sinal da morte.

A cacânia vem aí e tanto pode durar uma eternidade como apenas uma geração. Um bom céptico suspende aqui o seu julgamento.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Depois do cabo da boa esperança, o cabo da grande cacânia ou a diferença entre ser o dono do barco e o embarcadiço á força do “Flying Dutchman” mais doido do que nunca porque sabe o que aconteceu a Jasão

Nas sociedades crepusculares o caminho é único, não por falta de alternativas mas por falta de condições para ver ou o conhecido, de noite todos os gatos são pardos. Quem não sabe fazer nunca poderá escolher. Sabe-se que quem não conhece para onde ir nunca apanha os ventos favoráveis e se o piloto não é dono do barco a situação de indefinição aprofunda-se. A europa cacânica não sabe para onde ir e não tem dono, talvez melhor, o dono não se quer apresentar ou até talvez tenha sido eliminado. O melhor monarca hobbesiano é uma múmia cimentada num pedestal emitindo um discurso novilinguístico de inacabada decifração.

Curioso, que um continente envelhecido, os capatazes mais ou menos senis e que já não escutados pelas massas já cansadas de nem descobrirem o início da vereda que conduz ao castelo, se dediquem à juvenil arte de surfar as ondas que por hábito ocultam a direcção da corrente dominante.

É duvidoso que os gastos mercados dominem o que quer que seja, os mercados são construções humanas, logo de duração e alcance limitados. A condição humana sofre a influência mais silenciosa mas férrea da sua pertença à natureza.

Os mercados querem crescimento e rentabilidade de capital, duas coisas cada vez mais liluputianas na europa para não falar da presciente lusitânia, o farol da cacanização.

A rentabilidade do capital tem permanecido estável durante os últimos cento e cinquenta anos, com os óbvios picos e vales desencadeados por guerras alargadas. A análise cuidada da evolução dos produtos internos brutos mostra uma correlação muito maior com o crescimento demográfico do que com o badalado crescimento tecnológico.

O capital no futuro a médio-longo prazo vai procurar os sítios onde o par crescimento populacional e satisfação de um pacote que conquistou o estatuto de básico mais dele necessita e mais o pode recompensar, a áfrica toda e ainda uma enorme parte da ásia e da américa hispânica. De resto o crescimento norte-americano vai continuar a ser superior ao europeu porque é o incumbente, goza do privilégio excepcional de emissor da moeda imperial e domina totalmente a máquina de guerra e todo comércio associado de lucros incomuns. À europa não cabe a melhor parte de nenhuma destas fatias, cabe-lhe ainda um bom resto apesar de tudo. À europa cabe aquilo que a natureza lhe destinar apertada pela negociação que americanos e chineses lhe impuserem.

O surfar do centro europeu sobre as ondas do petróleo a preço de desconto e de capital a custo zero terminará, como é da natureza das ondas, na praia tão próxima. Quando as massas pagam o bilhete para embarcar num barco que os deita à água logo depois, com uma prancha manhosa, o murmúrio na praia sobe de intensidade, o preço é muito caro, a viagem não vale a pena.

Pior, percebe-se que o recreio não é definido pelo vendedor da viagem de barco. Quer a necessidade dos produtos, quer a valorização do trabalho, quer a distribuição que cabe ao capital e ao trabalho são todas variáveis de grande amplitude, algumas até à sua eliminação quase total, mesmo a necessidade de cuidados médicos, algo que constituiria o extremo de pouca variabilidade por dependente das leis naturais é de uma discricionaridade espantosa. A europa percebe que está a perder a capacidade de definir a sociedade, as suas necessidades, a hierarquia dos desejos. A europa infantiliza-se, melhor, como não consegue pôr o relógio a andar para trás, cacaniza-se. Esta incapacidade crescente em protagonizar a definição da sociedade está a ser percepcionada pelo mundo lateral, mais jovem, até antes receptáculo de exportação das massas inúteis dos impérios, depois, ele próprio e até agora, emissário de mão de obra fresca e a custo quase nulo; a senilidade europeia é pornográfica.

As massas da periferia infantilizada começam a desconfiar que o patrão do barco não é o seu proprietário, que não sabe para onde vai, que não vale a pena substituí-lo pelo contra-mestre, outro da mesma igualha. O outro barco que ainda é um pouco diferente é o navio-almirante, único com poder de fogo que atemoriza, logo ainda reúne.

Qual o interesse de embarcar nos barcos secundários para além de manter o emprego e os confortáveis ordenados dos marinheiros-gestores de água doce – é verdade, eles também não sabem fazer mais nada, lá aumentava mais o desemprego, conforme se tem amplamente visto, todo o seu saber residiu na construção da teia, algo sempre muito fácil de reconstruír e sempre susceptível de redução dos seus nós.

Enquanto que o discurso do chá pré- cacânico sobre o crescimento, sobre a austeridade – que saudades da austeridade expansionista – sobre a TINA for vendável tudo continuará como dantes à espera que a mãe natureza se encarregue de fazer uma rearrumação, com a poieirada inerente.

Até lá que ainda demora, a reivindicação possível é a diminuição dos capatazes – gestores, muito caros e que desperdiçam muito dinheiro e a diminuição dos patamares da representação – já não é mau. O mais inconveniente é o continuar da captura do melhorzito da periferia pela sub-centralidade germânica até à recondução deste povo á loja das caldas – e dos espanhóis a las bodegas e tutti quanti…

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Das montanhas são altas e o imperador está longe até às montanhas são anãs mas o imperador não está ou uma viagem de Oz passando pela Cacânia até chegar ao estado de Ford

Este vai ser uma ano rico em eleições tal como têm sido os últimos anos em quase todo o mundo. O número de votações tem vindo a aumentar nas últimas décadas e o número de partidos concorrentes também tem crescido. Mas tal como é costume a realidade finta-nos quase sempre e o mais torna-se menos.

Já muitos têm afirmado que o sistema de representação está falido, mas sempre esteve. A legitimação do poder sempre foi difícil e a ontogenia do poder é de difícil destrinça. Durante alguns séculos conviveram duas bases diferentes para a sua sustentação. No ocidente cristão procurou-se refúgio na sacralização do poder. O seu representante estava ungido pela benção da divina providência, local onde se realizava a escolha. Isto resolvia vários problemas, primeiro a escolha que era subtraída à sociedade e mais importante, certificava a representação, eliminando qualquer fosso entre a deliberação e a vontade que a sustentava, eram o mesmo, logo a sua realização era a sua legitimação.

O conceito oriental, neste caso o chinês, era mais subtil nos caboucos do poder. A sua legitimação era também divina mas ex-post e não ex-ante. A sua bondade era certificada pela concórdia na terra, sinal de que os céus também se acordavam com a sua representação. A guerra e instabilidade na terra era a mediação escolhida pelo céu para mudar a sua representação na terra.

Nos dois últimos séculos promoveu-se a laicização do poder voltando-se ao início, o reino do céu não se confundia com o da terra, conceito de aparecimento iterativo no mundo antigo greco-romano. Esta laicização, prima do iluminismo, tinha que evoluir para a racionalização, obstáculo que cresceu até ser inultrapassável desde que o voto mais ou menos universal foi sendo crescentemente abraçado.

Uma outra evolução paralela foi a percepção sobre a necessidade da exposição. No passado, a exposição era remetida nos tempos de acalmia para as cerimónias calendarizadas de exposição do poder. O sobrinho da racionalização tornou o calendário uma sucessão de dias consecutivos de obrigatoriedade de exposição.

Uma outra evolução deriva de um engano auto-alimentado. Na altura em que havia um poder concentrado e autocrático, hobbesiano, pedia-se ao poder inteligente que raramente emergisse, que assumisse um carácter atómico, onde o maior espaço é um vazio atravessado por uma energia. No presente quântico, a energia transformou-se em massa de modo que o poder está de facto em todo o lado e durante todo o tempo. Já não raros feriados cerimoniais a marcar um calendário rico em dias de ausência de poder, agora há dias de poder todos os dias. Só que esta alteração marcada na frequência da emergência do poder não se acompanhou de forma paralela de uma necessidade do mesmo. O poder, agora, é francamente excessivo por comparação com a sua necessidade, logo chegamos à repetida manifestação de um poder inútil, vazio, a energia deixou de gozar da capacidade de se transformar em massa – a Cacânia foi forçada a nascer para preencher esta redundância inútil e caricatural.

Uma contradição adicional mas consequente do que se desenvolveu acima, o poder evoluiu para a deslegitimação auto-promovida ao construir um fosso extraordinário entre o que anuncia que vai fazer e aquilo que realiza. Nas últimas décadas vivemos um compasso de espera do “como se” do país de Oz, o que víamos era uma transfiguração colorida da oligocromia existente detrás da cortina. Isto vem provocando cada vez menor frequência aos espectáculos do pobre feiticeiro e das reuniões com mais ou menos comida e bebida promovidas pelos funcionários ilustres da Cacânia.

Nunca apreenderemos que o poder se comporta como um carro de chassis defeituoso e direcção não assistida, razoável para conduzir em recta, fatalmente destinado ao desastre ao negociar uma curva, mais ainda porque quem vai a conduzir teima em ver numa curva apenas uma lomba na desejada interminável recta. O poder apenas está preparado para preservar, como seria natural

As escolhas dos andaluzes e dos gauleses apresentam uma dificuldade a acrescentar ao que dissemos. por muito maus que tenham sido antes, a confusa percepção é que não vale a pena avaliá-los, votamos neles porque eles estão lá, ou numa fórmula conhecida recentemente, são famosos porque são famosos, ou já agora, a manifestação global do Dr. Bilhim e a sua cresap, a escolha dos mais competentes entre os competentes.

No fundo, nada de muito novo tem surgido nos últimos anos, o poder é tão real como ilusório, tão necessário como inconveniente, tão forte como tão fraco, tão omnipresente como tão ausente, o poder submete-se totalmente à natureza que se encarrega da evolução: a demografia associada e configurada pelos recursos e produção.

A curva é essa, o trabalho de casa que a natureza nos encomendou é esse. Até agora a TINA apenas descobriu Ford depois da Cacânia mas as noites para passar debaixo do esburacado palácio de cristal onde se reúnem os mais ilustres cacânicos só serão razoavelmente agradáveis para alguns. A maior parte ficará à chuva, será que vai atirar as telhar que caíram lá para dentro e acabar por derrubar a porta giratória depois de eliminar o porteiro? É que Ford ainda não acabou o dicionário da novilíngua e a TINA está a envelhecer.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

As origens dos paradoxos: a complexidade, o desconhecimento e a ocultação ou a eurocacãnia ainda longe da perfeição

Poucas coisas são capazes de gerar consenso na Europa cacânica mas a percepção do discurso paradoxal é uma delas. Há que pôr entre parêntesis a dificuldade do paradoxo numa sociedade cacânica que está já para além disso mas o processo de transformação demora muito a chegar à perfeição da exclusão. Na fase actual da transformação cacânica nota-se essencialmente o cansaço, a velhice irremediável, o regresso à dependência a coberto do novo império depois de deixar de o ser.

No discurso (ainda há uns restos de discurso) corrente dominam os vectores das reformas estruturais, o crescimento austero e o investimento. Subjacente a este arrazoado há a  mistificação sobre as dificuldades postas pelo chamado estado social e pelo problema da oferta. Aparece, algo envergonhado, o exemplo alemão como um exemplo da melhor aproximação à tipificação das bondosas reformas estruturais.

O estado social passou a ser o culpado do envelhecimento demográfico. Bom, se retirarmos completamente algum apoio na saúde e diminuirmos drasticamente os rendimentos do trabalho  até aos limites um pouco para lá da indigência será de esperar um decréscimo acentuado na esperança de vida de forma a rejuvenescer as populações. Para os revolucionários que governam a Europa actual tal é concebível porque estão a calcular que controlarão a revolução.

Um dos paradoxos mais notórios é o discurso que junta uma baixa taxa de emprego, rendimentos do trabalho esmagados e natalidade robusta. A alternativa parcial que tem sido seguida é a importação de populações, primeiro africanas e posteriormente sul-americanas e asiáticas – até do leste europeu – que tem substituído a baixa natalidade. Tudo isto se enroupa com falatório sobre o apoio à natalidade e suas políticas ditas de apoio, imediatamente esburacado pelo apelo à movimentação, primeiro no trabalho, depois do país. mas se há coisa que nunca assustou um revolucionário é a contradição ou o não ajustamento das propostas avançadas. Como se sabe, num revolucionário a realidade ajusta-se à ideia e as próprias ideias são facilmente contorcidas para se ajustarem à teoria.

O outro ponto revolucionário é o crescimento. Não se sabe bem o que impede o desabrochar de tal desiderato, as dívidas soberanas não poderiam impedir tal. Se o dito medrar depende essencialmente da iniciativa privada, os juros actuais batem todos os recordes de nanismo.  Alguns funcionários superiores lá deixam escapar que o desemprego jovem vai continuar a ser alto apesar do volumoso capital que o Sr. Draghi vai pôr à disposição. Enfim, mais um pequeno contratempo.

Outros mais afoitos reclamam por maiores facilidades no mundo do trabalho, ideias não muito distantes das teses da Inglatera da “Poor’s law” onde se afirmava que uma das principais razões para o desemprego é a pouca vontade de trabalhar – talvez seja a única forma de conciliar com salários à beira da indigência com baixo desemprego, um sobrinho do ditado pouco é melhor que nada. Ah, e a necessidade de criatividade, flexibilidade e formação não devem ser esquecidas pelos empregados do presente-futuro – num mundo conformado pelo dinheiro quer criar-se um exército de desprendidos e contidos. aqui a porca volta a torcer o rabo.

Então o problema não é o da oferta? mas então donde virá a procura. Das exportações… espera lá, para onde, para Marte?

Continua a querer negar-se as origens desta crise. Uma delas é o seu carácter cíclico e nada há a fazer – só os crentes do esquecido deus Greenspan é que professaram – mas será que essa malta professa coisa alguma – é que pareciam acreditar que as novas gestões financeiras tinham acabado com as crises. Uma outra e muito mais impostante e também cíclica mas com alguma novidade, é o reaparecimento do excesso de oferta. Quer em quantidade quer em qualidade e variedade. Esta sobreprodução dura há décadas e foi atenuada numa fase pelo endividamento. Não há dúvida que os rendimentos do trabalho estão estagnados ou em perda desde há cerca de quarenta anos depois da expansão do pós-guerra. A satisfação das pretensas necessidades desencontradas da insuficiência de rendimento para as satisfazer foi ultrapassada pelo cartão de crédito pessoal e nalguns países mais desorientados pelo cartão de crédito dos países. Só os que estão num estadio muito mais atrasado é que não padecem de dívidas gigantescas e mais ou menos impagáveis. Mesmo o oriental Japão caiu na armadilha e só não está na frente do palco porque quase toda a dívida está em mãos nacionais, apesar de um artigo da Bloomberg vir na corrente semana a iluminar essa situação.

A capacidade produtiva instalada é excessiva e o desemprego seria ainda mais alto se as habituais redundâncias das mega empresas e dos aparelhos estatais não contivessem números avultados de excedentários. Basta olhar para o castelo financeiro e perceber isso e a tendência para o emagrecimento dos empregados vai persistir por vários anos. O regressado aos lucros lloyds irá continuar a despedis, o atribulado HSBC também e então na luso cacânia nem é bom falar.

Alguns – poucos eu sei – perguntarão se estas afirmações são desconhecidas ou não aceites por quem administra as terras e povos ocidentais. a fácil resposta é que tal é conhecido mas o papel dos capatazes nunca foi de governar, mas sim de capturar o seu quinhão, mais ainda quando as suas funções são o mais redundantes e discricionárias possíveis. Quantos milhares de capatazes superiores poderiam ser dispensados sem inconveniente nenhum para a organização, muito pelo contrário.

A Europa ainda não encontrou solução para a perda das colónias, terras para onde mandou os seus excedentários durante os últimos dois séculos. mais grave, a Europa perdeu o império e passou a integrar mais ou menos voluntariamente o império americano, tentando acreditar no discurso irreal de que há interesses do ocidente – para quem tinha entre as suas filas quem dizia quem nem sequer havia sociedade, é um paradoxo de se lhe tirar o chapéu.

Para já e tristemente, temos que assistir ao lamentável espectáculo dos paradoxos filhos de quem não percebe ou de quem quer ocultar.

Nas horas difíceis lembremos Seneca que afirmava quem quem resiste ao destino apenas se deixa arrastar por ele, mas ele também disse que nem sabe para onde vai nunca apanha ventos favoráveis -também os estóicos caíam nos paradoxos, mas estes são filhos da complexidade. Suspendamos o julgamento, em honra da nossa escola.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

Na era da razão cínica o nevoeiro amalgama os ignorantes espontâneo e selectivo

O esforçado Kant procurou delimitar os terrenos dos estados natural e civilizado mas no fundo ele bem sabia que tudo repousava no como se, algo que os pragmáticos britânicos claramente vislumbraram.

O estado natural gera de per si o confronto. Outro prussiano teorizou sobre a guerra e cunhou a famosa frase sobre a guerra como outra forma de fazer política. Os tempos evoluíram e nem sempre debaixo do sol tudo permanece. Estamos agora numa fase um pouco diferente em que a política é uma outra forma de fazer a guerra.

O conhecido Fukuyama avançou com a hipótese da história ser chegado ao fim, um erro de que já se arrependeu mas havia alguma intuição brilhante subjacente. O historiador sino-americano dizia por outras palavras que a mais recente guerra e pensava ele, a mãe de todas as guerras, tinha sido travada no campo económico-financeiro com um vencedor claro. Poder-se-ia dizer que no fim do século passado, o confronto financeiro era essencialmente a nóvel forma de fazer a guerra e nisso ele tinha razão.

Na semana passada fomos brindados com um estudo resumido produzido por um conselheiro de estado. Ora os conselhos de estado sempre serviram primordialmente para aconselhar o soberano sobre quando e como fazer a guerra. Logo, Vítor Bento podia gozar da expectativa de ser alguém atento e informado.

O que é que Bento descobriu? Um erro, que não quis assumir com clareza e duas epifanias. O erro era a sua crença, em conjunto com o pensamento financeiro politicamente correcto, que estávamos perante dois problemas, um excesso de dívida pública e um problema de escassez de oferta. Vá lá, vale mais tarde do que nunca. Só um desconhecimento profundo ou uma ocultação selectiva poderia querer equacionar que dívida pública crescente se correlacionava com problemas de sustentabilidade a curto ou médio prazo. Todos os impérios cresceram lançando dívida, todos os impérios se afundaram quando deixaram de poder impôr a sua dívida. Não era porque os mercados da época desconfiassem da sustentabilidade financeira do império, era a incapacidade do império em exercer a força necessária para obrigar à compra da sua dívida. A famosa série de RR sobre as dívidas públicas ilustrava isto de forma exuberante quando se consultava a folha do Reino Unido, dados que eles habilidosamente deslocavam para um segundo plano. No presente, a dívida pública apenas sinalizou o tempo adequado para iniciar a guerra entre o núcleo e a periferia.

Esta realização do erro trouxe a primeira epifania – o núcleo credor é que estava a ganhar com a periferia devedora e não o mantra de que os devedores deviam estar muito agradecidos por estarem debaixo da protecção dos benévolos credores. A tese que Bento agora descobriu ser um erro, ia contra tudo o que se tinha visto ao longo dos séculos mas o pensamento dominante que conseguiu vender-se como sensato, prudente e informado não recua perante a realidade, transfigura-a como bom revolucionário – claro que protegido por textos assinados por quem passa por conservador e sensato, os novos-velhos internacionalistas, aquela subclasse da elite que defronte o primeiro obstáculo sério desmonta do cavalo e vai tomar chá com os árbitros do concurso, confiados que mais uma vez as aparências vão tudo salvar. Ver historiadores partilhar estas teorias é confirmar que a história é uma velha muito pouco recomendável.

A segunda epifania foi a passagem da escassez da oferta para a escassez da procura. Tudo isto é muitíssimo relativo, Bento não percebeu que tanto uma como outra são constituídas por um jogo muito volátil entre desejos e necessidades. Bento devia visitar uma das metrópoles que talvez prefigurem o futuro, Mombai, para perceber melhor o mundo que estamos a desenhar. Em Mombai não há escassez de oferta ou de procura, há constantemente um excesso iterativo das duas, aquilo que é mais importante é a luta pelo acesso ao mercado, ele próprio.

Aquilo que Bento não compreendeu é que em tempos que estão a chegar não vale a pena pensar que o mercado que se joga no dia a dia de Mombai tem algo de perfeito, nada terá, a escassez relevante é de poder, poder para tentar controlar o mercado que atingindo tal dimensão acaba por enterrar de vez a pia destruição criativa, o grande caído tem força mais do que suficiente para impedir que o pequeno novo se ponha de pé –  algo que os americanos estão lentamente a descobrir quando verificam que se tornaram numa das sociedades mais cristalizadas do ocidente, o que é deveras impressionante se nos lembrarmos do efeito agitador da imigração. Quando esta diminuir, Nova Iorque cumprirá o seu destino, ser Mombai da América.

Falta a Bento descobrir outra verdade, o touro e o urso do mercado financeiro da dívida pública estão mortos há muito, redescobriram Clausewitz. Basta ver os juros da dívida pública de alguns dos países do núcleo como a França, a Alemanha ou o apêndice belga, permitindo até a um país completamente falido como Portugal apanhar a onda.

Pode uma sociedade infantilizada como Bento do conselho de estado gerar adultos? Tocqueville receava que não, Sextus como bom pirrónico quer refugiar-se na suspensão de julgamento. Talvez não sejam crianças verdadeiras, estão apenas a aparentar que o são conforme a selecção dos obstáculos, talvez seja o confronto moderno entre os epicuristas e os pirrónicos que estes costumam perder por serem assimilados com os estóicos. Há que apreender que tudo não pode ser resumido aos porcos e ao cavalo da quinta de Orwell.

Como nota final: um céptico no século XXI da gigantesca e inigualada manipulação não vacila sobre a liberdade e a independência necessárias para poder interromper o seu julgamento.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário

De em economista, passando por um banqueiro até um secretário ou a lusocacânea dos criados e capatazes

No seu trabalho ” Capital no século XXI ” Piketty expõe a evolução do rendimento de capital e do produto de França e Reino Unido, entre outros, nos últimos trezentos anos, período de que há registos fiáveis. Daí concluiu que o rendimento do capital tem sido de forma persistente superior ao aumento do produto, logo a parte da riqueza capturada pelo capital tem tendência a crescer.

É muito interessante consultar as longas séries do aumento da riqueza e perceber que o ritmo é sempre muito lento, muito raramente ultrapassa os 2%. Também é elucidativo perceber que este ritmo de crescimento é muito similar entre os países do primeiro mundo ocidental e a superior taxa apresentada pelos USA deriva do aumento populacional e não de um hipotético aumento de PIB/capita americano superior ao europeu.

Também se percebe pela consulta dessas séries longas que são as duas guerras mundiais que geraram um colapso do rendimento do capital e uma taxa de crescimento da da riqueza mais elevada.

Disto deriva Piketty, no que Sextus concorda, que a projecção para as próximas décadas deste século combina uma baixa taxa de crescimento da riqueza, inferior a 2%, uma maior fatia do capital na riqueza, mais potenciada pela estagnação e nalguns casos diminuição da população europeia. Ou seja, até aqui, num raciocínio de meridiana clareza Piketty expõe o óbvio: o mantra de crescimento repetido pela CE não passa de um engano, de uma conversa de crianças, melhor ainda, de uma conversa para o homem inútil da cacânea em gestação.

Como muitos saberão, Piketty está focalizado na criação de uma desigualdade cada vez maior e não aborda outros problemas. Manifesta uma crença moderada no projecto da união europeia e nada diz sobre outra desigualdade muito importante, embora indirectamente a aborde ao divagar sobre as diferentes taxas de imposto sobre o capital e os off-shore.

Piketty não conhece os banqueiros lusos e é pena porque talvez elaborasse outras especulações. É verdade que durante a última década vários bancos ocidentais, quase todos para sermos mais correctos, derreteram uma colossal parte do seu valor de bolsa, mas com a ajuda do BCE que faz empréstimos a juros não de amigo mas de paizinho conseguiram dar a volta, escapar à bancarrota e muitos deles  conseguiram reapresentar uma trajectória ascendente no valor de mercado. Claro que os bancos periféricos têm muito mais dificuldades, particularmente em ambientes de baixo crescimento. Eles próprios afirmam ter algum dinheiro para emprestar mas não lhes apresentam projectos que aparentem ser viáveis. Mais ainda, com o empurrar do país para exportador de mão de obra com um leque alargado de qualificações, trata-se de uma verdade que se auto-alimenta.

Os dois maiores bancos privados portugueses depois da falência daquele que era o maior, exibem prejuízos muito importantes e vêem o seu valor afundar de forma exuberante. Esta dificuldade em inverter a queda será sempre maior na periferia, algo que Piketty não aborda e também algo que o centro parece não compreender. Ou seja, no novo mundo em gestação vão ser mais evidentes diferentes taxas de rentabilização do capital, algo que já era mais ou menos assim no passado com a assimétrica taxa de industrialização observada no ocidente. Isto era atenuado por uma tendência para crescimento demográfico mais vigoroso em sociedades um pouco mais atrasadas.

Certamente que o centro está muito consciente do que está a ocorrer e tem feito o trabalho de casa para lidar com este problema. A primeira tarefa dada aos capatazes que descem o castelo é espalhar a confusão, os aldeões não sabem o que fazer, nem sequer adivinham se alguém espera que eles façam alguma coisa. O agrimensor foi contratado para nada medir.

A segunda tarefa é fazer incrustar na aldeia a imagem de pertença ao castelo, coisa que na realidade incomoda o próprio castelo que não tem tarefas para a aldeia para além de servir comida e cerveja aos capatazes quando estes descem do castelo. A visão de que outras aldeias fazem o mesmo porque tal obedece à lei natural constitui a última tarefa do dia.

Não se trata bem de um projecto revolucionário, trata-se de um projecto essencialmente terrorista, mas elegante e atrevido, chamando de irresponsáveis e reaccionários todos os outros, ou seja, fora do homem novo proclamado por Maçães restam crianças e velhos.

Uma versão muito parcial disto que está a ocorrer é a investigação sobre a cartelização dos preços de produtos de higiene e derivados nos super franceses, a gloriosa globalização na sua verdadeira essência, a cumprir o seu destino. Americanos, franceses, ingleses e alemães todos juntos a almoçar e a trabalhar.

Alguns dirão que isto é um sinal de que nem tudo está perdido, mas basta ler Musil e e perceber que na Cacânia há sempre alguns infelizes. É  não perceber qual é tarefa dos governos desde sempre, não é regular é criar assimetrias de informação e de acesso, é uma inerência que uma sociedade tem de suportar mas que não deve permitir que cresça até a sufocar – tratado USA-Europa pode bem ser a almofada final.

Há uma dúvida que Sextus vai partilhar: o que fazem no castelo a tipos como o Maçães? Dão-lhes cerveja, chocolate ou lavam-lhes o cérebro? Espero que não seja muito doloroso.

Publicado em Uncategorized | Publicar um comentário